A ilha isolada de Westeros é o refúgio de sombras e murmúrios, onde o vento carrega o sal do mar e o eco distante das ondas quebram contra os rochedos negros.
Assentada sobre uma rocha lisa, Donzela lamenta em pranto, seus olhos brilham com lágrimas que escorrem como pérolas prateadas. Seu corpo treme de indignação, suas mãos apertadas em punhos tão firmes que as unhas cavam sulcos em sua própria pele.
O “Senhor Afogado” está ao seu lado, sua presença é imponente e sombria, como uma tempestade prestes a desabar.
Ele a observa com um olhar que mistura satisfação e uma frieza calculista.
_ Eles me humilharam! _ Sussurra ela, sua voz carrega ódio e desespero. _ Eles me trataram como uma criança, como se eu não tivesse voz, como se meu amor por você fosse insignificante. O Pai, o Guerreiro, o Ferreiro e até a Velha, todos eles me desprezaram.
O “Senhor Afogado” coloca uma mão pesada sobre seu ombro, seus dedos longos e frios como as garras de uma criatura abissal. Ele se inclina para frente, colocando seu rosto próximo ao dela, e sussurrando com uma voz rouca e profunda, como o rugido das ondas em uma noite de tempestade.
_ Eles pagarão por isso, minha querida. Cada um deles. Você não precisa se preocupar com a Mãe ou com o Estranho, mas os outros… eles sentirão a minha ira.
A Donzela ergue os olhos, fitando-o com uma mistura de admiração e dúvida.
_ Como? _ Pergunta ela, com sua voz ainda trêmula, mas agora carregada de uma centelha de esperança. _ Como você fará isso?
O “Senhor Afogado” sorri, esboçando um sorriso que não chega aos olhos, cheio de malícia e promessas sombrias.
_ O Pai se considera justo e dominante. Ele acredita que seu julgamento é infalível. Mas eu mostrarei a ele que sua justiça é uma farsa. Ele será humilhado diante de todos e seu domínio será arrancado de suas mãos.
Ele fez uma pausa, seus olhos brilhando com uma luz sinistra.
_ O Guerreiro… ah, o Guerreiro. Ele se orgulha de sua força, de suas vitórias. Mas eu farei com que ele enfrente alguém que é melhor do que ele. Alguém que o derrotará e o reduzirá a nada mais que um covarde.
Donzela arregala os olhos, fascinada pela fúria em sua voz.
_ E o Ferreiro? _ Perguntou ela, quase em um sussurro.
O “Deus Afogado” ri, um som baixo e gutural.
_ O Ferreiro trabalha incansavelmente para proteger seus seguidores. Mas eu farei com que aqueles que ele protege se tornem escravos. Ele trabalhará ainda mais, mas nunca será suficiente. Ele se tornará um escravo de seu próprio trabalho. E ver você comigo… isso será a punição final para ele.
A Donzela sente um arrepio percorrer sua espinha, mas não de medo. É uma sensação de poder, de vingança iminente. Ela sorri, um sorriso que não combina com sua aparência angelical.
_ E o que eu devo fazer? _ Pergunta ela, com sua voz agora firme, carregada de determinação.
O “Senhor Afogado” inclina-se ainda mais para frente, seus lábios quase tocando o ouvido dela.
_ Você deve abandonar os humanos que afirma proteger. Deixe-os à mercê de sua própria sorte. Eles não merecem sua compaixão. Quanto ao Estranho… eu falarei com ele. Ele pode ser útil, mas não conto com sua lealdade.
Ele faz uma pausa, seus olhos fixos nos dela.
_ Mas para que meu plano dê certo, eles não podem saber o que farei. Por isso, enxugue suas lágrimas, minha querida. Leve-me ao Septon. Eu me prostrarei diante deles, mas será apenas uma farsa. Eu tomo o que não me dão, e aqueles que se acham altivos serão afogados em sua própria arrogância. Pois, lembre-se, o que está morto não pode morrer.
A Donzela ergue-se, suas lágrimas agora secam, substituídas por uma determinação feroz. Ela estende a mão para ele e ele a segura. Seus dedos entrelaçados como as correntes de um navio naufragado.
_ Vamos _ Diz ela, sua voz firme e decidida. _ Vamos ao Septon. Eles não saberão o que os espera.
O “Senhor Afogado” sorri novamente, esboçando um sorriso que promete destruição e caos.
— Eles não terão chance, minha querida. Nenhuma chance.