
O amanhecer se derrama sobre Ponta Porã em tons de ouro e rosado, tingindo a janela com uma luz suave. O ar está fresco, carregado do cheiro úmido da terra que desperta. As primeiras cigarras arriscam notas tímidas, e um galo distante marca o início do dia com autoridade.
Deitada ao lado de Madm, Amada observa o rosto tranquilo de seu esposo, agora rejuvenescido — a expressão serena, a respiração calma, a paz estampada em cada traço que o tempo devolve.
Ela o toca no ombro, com leveza e voz macia, porém ansiosa:
— Amor! Amor!
Madm pisca algumas vezes, despertando devagar, como quem retorna de um lugar distante e doce. O corpo se espreguiça, e ele leva a mão ao peito, sentindo-se vivo e leve de um jeito esquecido.
Com um sorriso meio infantil, meio extasiado, murmura:
— Você não vai acreditar, eu tive um sonho muito top.
Amada se inclina sobre ele, o rosto curioso e suave, um brilho íntimo nos olhos:
— Que sonho?
Madm se ergue, apoiando-se no cotovelo, o riso cresce em rosto, como quem segura dentro de si um segredo poderoso e feliz:
— Sonhei que íamos para uma realidade distinta depois da volta de Yeshua…
As palavras pairam no ar. O silêncio entre os dois carrega reverência, espanto… e reconhecimento.
Amada sorri de leve, afastando um fio de cabelo da testa dele com o dorso dos dedos:
— Não foi sonho, e seu rosto já voltou ao normal.
Ele arregala os olhos, o coração acelera. De um salto, quase tropeçando nas próprias pernas, corre até o espelho de moldura simples. Passa a mão no próprio rosto, sentindo a pele lisa, e sorri como um menino diante de um milagre fresco:
— Normal? Claro que não, eu estou muito mais jovem!
Amada se aproxima devagar, apoiando-se ao lado dele, e o reflexo mostra dois rostos acendendo de alegria renovada.
— Viu que não foi um sonho.
Ele se vira para ela, emocionado demais para conter as palavras. Toma-a nos braços, com um aperto cheio de gratidão, esperança e amor que atravessa eras:
— Estou muito feliz de ver seu rosto jovem e lindo de novo.
Ela sorri contra o peito dele, com carinho que atravessa tempo e realidade:
— Eu também! Apesar de que eu nunca deixei de gostar das suas rugas.
Eles riem juntos — um riso que cura memórias antigas.
Descem as escadas de madeira, cada passo ecoa leve; o corpo deles parece aprender a ser jovem novamente. Na porta do térreo, antes de entrarem na sala, Madm puxa Amada pela mão para um instante de cumplicidade silenciosa — como quem agradece ao Altíssimo, sem precisar falar.
Lá embaixo, o aroma de pão fresco, café passado e manteiga na chapa se espalha pela casa. A madeira da cozinha range, viva. O lar respira, e eles respiram com ele — prontos para entrar no mundo novamente.
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