Quinta, 11 de Junho de 2026

2.1. Despertar.

Arco – Escolhidos e Enviados 5

16/04/2026 às 17h53 Atualizada em 11/05/2026 às 16h48
Por: Luan Dutra Fonte: Por Markon Machado
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2.1. Despertar.

O amanhecer se derrama sobre Ponta Porã em tons de ouro e rosado, tingindo a janela com uma luz suave. O ar está fresco, carregado do cheiro úmido da terra que desperta. As primeiras cigarras arriscam notas tímidas, e um galo distante marca o início do dia com autoridade.

Deitada ao lado de Madm, Amada observa o rosto tranquilo de seu esposo, agora rejuvenescido — a expressão serena, a respiração calma, a paz estampada em cada traço que o tempo devolve.

Ela o toca no ombro, com leveza e voz macia, porém ansiosa:

— Amor! Amor!

Madm pisca algumas vezes, despertando devagar, como quem retorna de um lugar distante e doce. O corpo se espreguiça, e ele leva a mão ao peito, sentindo-se vivo e leve de um jeito esquecido.

Com um sorriso meio infantil, meio extasiado, murmura:

— Você não vai acreditar, eu tive um sonho muito top.

Amada se inclina sobre ele, o rosto curioso e suave, um brilho íntimo nos olhos:

— Que sonho?

Madm se ergue, apoiando-se no cotovelo, o riso cresce em rosto, como quem segura dentro de si um segredo poderoso e feliz:

— Sonhei que íamos para uma realidade distinta depois da volta de Yeshua…

As palavras pairam no ar. O silêncio entre os dois carrega reverência, espanto… e reconhecimento.

Amada sorri de leve, afastando um fio de cabelo da testa dele com o dorso dos dedos:

— Não foi sonho, e seu rosto já voltou ao normal.

Ele arregala os olhos, o coração acelera. De um salto, quase tropeçando nas próprias pernas, corre até o espelho de moldura simples. Passa a mão no próprio rosto, sentindo a pele lisa, e sorri como um menino diante de um milagre fresco:

— Normal? Claro que não, eu estou muito mais jovem!

Amada se aproxima devagar, apoiando-se ao lado dele, e o reflexo mostra dois rostos acendendo de alegria renovada.

— Viu que não foi um sonho.

Ele se vira para ela, emocionado demais para conter as palavras. Toma-a nos braços, com um aperto cheio de gratidão, esperança e amor que atravessa eras:

— Estou muito feliz de ver seu rosto jovem e lindo de novo.

Ela sorri contra o peito dele, com carinho que atravessa tempo e realidade:

— Eu também! Apesar de que eu nunca deixei de gostar das suas rugas.

Eles riem juntos — um riso que cura memórias antigas.
Descem as escadas de madeira, cada passo ecoa leve; o corpo deles parece aprender a ser jovem novamente. Na porta do térreo, antes de entrarem na sala, Madm puxa Amada pela mão para um instante de cumplicidade silenciosa — como quem agradece ao Altíssimo, sem precisar falar.

Lá embaixo, o aroma de pão fresco, café passado e manteiga na chapa se espalha pela casa. A madeira da cozinha range, viva. O lar respira, e eles respiram com ele — prontos para entrar no mundo novamente.

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