
Gotham.
Enquanto se organiza a festa na casa de William, em Ponta Porã, em Gotham, a noite cai, tingindo o ar com tons de cinza e neblina. Bruce Wayne, após o confronto com Rachel, estaciona seu carro diante do restaurante Iceberg Dinner, um prédio imponente, iluminado por luzes verdes que piscam sobre a neblina, envolto por uma atmosfera sombria. Com a Colt Python 357 Magnum na mão, ele respira fundo, seus pensamentos giram com raiva e determinação. “Vou acabar com Falcone, o verdadeiro câncer de Gotham”, pensa, saindo do veículo.
Dentro do restaurante, ele avista Carmine Falcone, um homem de meia-idade com cabelo negro e olhar frio, jantando solitário em uma mesa de canto. Sem hesitar, Bruce se aproxima e se senta à sua frente, encarando-o com os olhos ardendo de ódio.
Falcone, com um sorriso cínico, o recebe:
— Veio me agradecer por fazer justiça ao assassino de seus pais?
Bruce, cerrando os punhos, rebate:
— Não! Vim fazer justiça a quem realmente faz mal a Gotham!
Falcone, percebendo a ira nos olhos de Bruce, ergue a mão calmamente, sinalizando para os capangas nas mesas ao redor que se mantenham quietos. Durante o dia, Bruce meditou sobre as palavras de Rachel: Joe era apenas um viciado, mas Falcone é o mestre do crime. Ele agora busca os verdadeiros culpados.
Falcone percebe a arma apontada para ele embaixo da mesa e, com voz pausada, começa:
— Sabe quem está naquela mesa, filho? — Ele aponta para o chefe do departamento de polícia, rindo baixo. — Quantos seguranças particulares estão a meu serviço, disfarçados? Você acha que o Comissário Loeb, chefe de polícia, defenderia você, filho, ou me protegeria?
Bruce abaixa a cabeça, sentindo a raiva crescer, mas se cala. Falcone prossegue:
— Aqui estão comerciantes que são meus aliados, empresários, policiais que participam da minha folha salarial, injustiçados pelos baixos salários que o poder público lhes presta. Injustiça essa que eu busco corrigir.
Girando o rosto, Bruce vê o prefeito da cidade e Falcone indaga:
— Quem você acha que garante a paz em Gotham? Que possibilita ao nobre alcaide municipal, o prefeito Hamilton Hill, a possibilidade de proporcionar uma sensação de segurança à população? O caso de seu pai foi algo que não deixarei ocorrer novamente, pois eu sou a lei em Gotham, e hoje, eu puni aquele que infringiu as regras da cidade.
Extasiado de raiva, Bruce levanta a arma e, à frente de todos, a aponta para a testa de Falcone, que, sem medo, aproxima sua testa ainda mais da arma, de maneira que ela toca sua pele e provoca:
— Atire! Você será o causador do caos da cidade! Será condenado e será a manchete dos jornais! Atire e verá uma briga entre aqueles que eu subjugo, em busca da minha posição. Você acha que um eventual sucessor será tão bondoso quanto eu? Terá regras justas como as minhas para reger a cidade? Se tem dúvidas, pague para ver!
A vontade de atirar consome Bruce, as memórias de seus pais e a adolescência solitária no colégio interno o impulsionam. Mas as palavras de Falcone o atingem — matá-lo agora seria inútil. Ele precisa de mais para combater o crime organizado.
Repentinamente, Bruce guarda a pistola, levanta-se e sai sem dizer nada. Após alguns passos, ouve Falcone chamá-lo:
— Bruce! — O jovem se vira, e Falcone se aproxima, com um tom inesperadamente sério: — A morte de seu pai foi uma perda irreparável para esta cidade. Eu sei a dor que sente e não vou deixar nunca que se esqueçam do legado de seu pai.
Bruce mantém o silêncio e caminha para fora. No beco adjacente, vê um morador de rua e, sem hesitar, tira o paletó, dizendo:
— É seu, e quero te dar a camiseta e a calça também, mas quero sua roupa!
Espantado, o homem responde:
— Está fedida, senhor.
Bruce, ignorando, vai ao beco, tira sua camisa e calça e ordena:
— Venha! Troque sua roupa comigo, pois o cheiro de nossa sociedade fede muito mais do que suas roupas!
O morador de rua, largando seu rádio à pilha, troca as roupas rasgadas pelas de Bruce. Ao vestir o paletó, percebe a carteira cheia de dólares e grita:
— Hey, senhor, seus documentos!
Bruce ignora e apressa o passo. Enquanto ele desaparece nas sombras, o rádio deixado para trás continua a falar, indiferente ao que acaba de acontecer:
— Parece inacreditável, mas o Gambit, o cruzeiro organizado pelo bilionário Robert Queen, naufragou no Pacífico. Eu sou Alan Scott e infelizmente tive que compartilhar contigo esta triste notícia.
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