Quinta, 11 de Junho de 2026

6.2. Entre a fome e o luxo

Máfia de Gotham 5

06/05/2026 às 09h48 Atualizada em 11/05/2026 às 16h54
Por: Luan Dutra Fonte: Por Markon Machado
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6.2. Entre a fome e o luxo

Gotham, 1963.

 

A luz da manhã banha o pequeno apartamento de Selina Kyle, agora uma jovem de 18 anos, com paredes descascadas e móveis simples. Ela toma café com sua amiga, uma mulher de pele clara e sorriso astuto, que mexe no cabelo loiro.

— O que vamos fazer hoje à noite? — Pergunta, Selina, cortando uma fatia de pão.

A moça, orgulhosa, responde:

— Hoje eu fui convidada para servir Dom Romano. Ele é o chefe de toda a máfia de Gotham!

— Você sempre ganha bem durante estes eventos. Quero ir também, Annika. — Comemora Selina.

Annika limpa a garganta e diz com voz ríspida:
— Dom Romano me convidou. Você não irá!

Selina franze a testa, irritada:

— Por que Dom Falcone não gosta de mim?

Annika dá de ombros, evitando o olhar:

— Só eu fui convidada, Selina. Não sei o que ele pensa de você.

 

Tribunal de Gotham.

 

No mesmo instante, no corredor do Tribunal de Gotham, Bruce Wayne, agora com 18 anos, caminha sozinho rumo ao julgamento de Joe Chill. Ele verifica a Colt Python 357 Magnum escondida no coldre sob a blusa, com o peso da arma reforçando sua determinação.

“Estou pronto para fazer justiça”, pensa, com os punhos cerrados.

As portas se abrem, revelando Joe Chill, cercado por procuradores e advogados. Bruce encara o assassino com os olhos queimando de ódio.

Com cada passo apressado de Joe, Bruce respira fundo, sua a mão direita desliza para a arma.

“É agora!” decide ele, colocando o dedo no gatilho, com a arma ainda escondida dentro de sua blusa.

— “Pow, pow, pow” — um barulho abrupto, três tiros cortam o ar e o ambiente é tomado por gritos.

Advogados e procuradores correm, e Bruce se aproxima, vendo o corpo de Chill no chão, cheio de sangue, se espalhando.

Rachel Dawes, estagiária de olhos lindos, toca o cadáver ainda quente e nota a mão de Bruce no casaco. Olhando para o andar superior, de onde vieram os tiros, ela percebe que não foi ele. Puxando-o para longe da multidão, o repreende:

— O que você pensava em fazer? Seu pai dedicou sua vida a algo que você não aprendeu?

Bruce, cheio de cólera, sussurra:

— Eu ia fazer a justiça que o poder judiciário não faria!

Rachel, firme, replica:

— Olha isso! Isso é justiça? Você acha que quem ordenou esses disparos o fez por justiça? Falcone, por acaso, é um agente da lei?

Com o rosto fechado, ela se afasta, deixando Bruce sozinho, perdido em pensamentos.

 

1953, dia seguinte à morte de Thomas e Martha Wayne.

 

O sol brilha com força sobre o cemitério da família Wayne, mas a claridade parece indiferente à dor. As árvores altas lançam sombras longas sobre o gramado impecável, e o vento arrasta pétalas de flores brancas que cobrem dois caixões idênticos.

A cidade inteira parece ter vindo se despedir. Homens engravatados, mulheres de vestidos escuros, autoridades, empresários — todos falam de Thomas e Martha Wayne como se fossem lendas, mas ninguém fala com o garoto de oito anos parado diante das covas abertas.

Bruce segura firme a mão de Alfred, o olhar vazio, o rosto pálido.
A voz dos oradores se mistura ao som distante de sinos. Cada elogio, cada aplauso educado, soa para ele como ruído.

Após a cerimônia, Alfred o conduz até um homem alto, de terno cinza e cabelo grisalho, cuja presença impõe respeito — Philip Wayne, o irmão de Thomas.
Ele parece desconfortável, um homem mais à vontade em escritórios do que em abraços.

— Este é seu tio Philip, Bruce. Ele agora é o responsável por você. — Diz Alfred, com a voz suave, a mesma voz que tenta preencher o vazio da perda.

Philip força um sorriso que não chega aos olhos.

— Oi, filho. Não tenho filhos e não sei como cuidar de um garotinho, por isso vou te indicar o melhor caminho para que você seja um sucesso. — Diz, com tom seguro demais para o momento.

Bruce ergue o olhar, os olhos marejados.
— Qual caminho, tio? — Pergunta, com a voz fraca, quase sussurrando.

Philip endireita o paletó, como quem anuncia um plano, não um destino:
— Você vai para a Inglaterra, estudar em um colégio interno e se tornar um grande homem! — Responde, com um sorriso forçado.

O vento sopra de novo, frio e impiedoso.
Bruce apenas assente, sem compreender que, naquele instante, não está apenas sendo enviado para longe de Gotham — está sendo exilado de sua própria infância.

Alfred o observa com o coração apertado.
A brisa leva o perfume das flores brancas, e por um segundo, Bruce pensa ter ouvido a voz da mãe chamando seu nome.

Mas é apenas o vento.

E o menino, pequeno demais entre ternos e discursos, aprende o que é ficar sozinho.

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