
Nesse ínterim, em Ponta Porã.
O quintal de William pulsa com risadas e conversas; as luzes das lamparinas refletem nos rostos alegres dos vizinhos e amigos. A música toca baixo, e o aroma de carne bovina assada enche o ar. George Anderson e Charlie Swan se aproximam de William, acompanhados do Major Ringo e de um policial de cabelos dourados e sorriso fácil. Copos na mão, o álcool suaviza suas expressões.
— Capitão, quem realmente são esses forasteiros? — Pergunta, George, lançando um olhar desconfiado para Madm.
Charlie inclina a cabeça e acrescenta:
— Estavam com o Muller. O senhor parecia pronto para investigá-los… e agora os trata como velhos amigos?
William hesita, procurando uma resposta que pareça convincente, mas Let intervém com um sorriso conquistador:
— Vocês, homens, deveriam fazer como meu irmão: ouvir mais as mulheres. Muitos de vocês nem trouxeram suas esposas para celebrar este grande momento conosco. Mas, quando vi o grupo, os reconheci. Lembrei deles quando nos conhecemos na Inglaterra.
O jovem policial de cabelos dourados rebate:
— Hey, Let, eu não sou casado.
Ele ergue o copo e completa, mais animado:
— E também não questionei nada! Seja quem forem, eles curaram a dona Ângela… e deixaram vocês ricos!
Ele ri alto.
— Só lamento você não tê-los levado à minha casa.
A fala impulsiva do Dourado, somada ao clima festivo e ao álcool, silencia o grupo. George ri, bate no ombro de William e diz:
— Tá certo, Let. Pela amizade com o capitão, vamos deixar quieto… por agora.
Ringo observa o grupo com firmeza.
— Anderson, você deveria desconfiar menos de homens íntegros como o Capitão William… e mais da sua própria sombra.
Ele então se volta para o jovem:
— Quanto a você, Dourado, se quiser ser um bom policial, fale menos besteira.
O major olha para Charlie, que abaixa a cabeça, e encerra o assunto.
Let se afasta dos policiais e se aproxima de Amada, tocando seu braço e apontando para Madm, que conversa com uma jovem loira.
— Seu marido vai fazer sucesso. Você não tem ciúmes de vê-lo conversando com garotas solteiras como a Blue Mary?
Amada balança a cabeça e sussurra:
— Vivi com ele por oitenta anos. Se isso não bastou para que aprendêssemos a confiar um no outro… melhor nos separarmos.
Ela observa Madm e prossegue:
— Além disso, a Blue Mary é amiga da Ângela. Parece realmente feliz pela cura.
Blue Mary, empolgada, exclama diante de Madm:
— Eu prometo que vou orar todos os dias por vocês! Ângela estava sofrendo muito. Que Deus abençoe vocês! Minha amiga merecia essa cura!
Madm sorri e responde:
— Quem a curou foi Deus. Nós só fomos beneficiados por chegar aqui no tempo em que o Criador decidiu realizar milagres. Toda glória e honra pertencem somente a Ele.
Enquanto isso, Carlisle Cullen, de pele pálida e olhar penetrante, conversa com sua esposa perto da mesa de bebidas.
— Você reparou? Miguel não está aqui. E, aparentemente, os sete amigos da namorada dele estavam envolvidos no “milagre” da Ângela. — Diz Esme, fazendo aspas no ar.
Carlisle toca o queixo:
— Tudo muito bem arquitetado por Miguel… inclusive a ausência dele. Mas não sei onde esses sete estranhos se encaixam.
Ele então ergue o nariz levemente.
— Você sente o cheiro daquele policial? O Anderson?
— Cheiro não… fedor de cachorro. — Responde Esme, franzindo o nariz.
George, como se percebesse algo, ergue o rosto lentamente — e seus olhos avermelham por um instante. Os olhos de Carlisle e Esme também se estreitam, tensos. Os três se encaram diretamente.
— Ele não tem medo, Esme… — diz Carlisle, inquieto.
— É um lobisomem! Será que está envolvido? — Pergunta, Esme.
— Pouco provável. Mas deve estar investigando tudo… como nós. — Responde Carlisle.
William sobe numa cadeira e pede silêncio:
— Amigos, vizinhos, companheiros de batalhão… Como vocês sabem, hoje Deus nos visitou e trouxe cura à minha esposa. Quero que Madm, amigo que minha irmã conheceu na Inglaterra, nos diga algumas palavras. Vamos prestar um culto de gratidão nesta noite.
Madm se coloca à frente. Quando abre a boca, o quintal silencia.
— Fico feliz por esta oportunidade, William. Quero enfatizar que, segundo a Torá, no livro de Bereshit — Gênesis —, o Eterno criou o ser humano. Ele criou homem e mulher à Sua imagem. Eram perfeitos. Não deveriam morrer. Não deveriam adoecer. Doenças, dores e enfermidades… jamais deveriam existir entre os homens…
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