Quinta, 11 de Junho de 2026

7.3 Vozes na festa

Arco - Escolhidos e Enviados 22

25/05/2026 às 07h23
Por: Luan Dutra Fonte: Por Markon Machado
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7.3 Vozes na festa

Nesse ínterim, em Ponta Porã.

 

O quintal de William pulsa com risadas e conversas; as luzes das lamparinas refletem nos rostos alegres dos vizinhos e amigos. A música toca baixo, e o aroma de carne bovina assada enche o ar. George Anderson e Charlie Swan se aproximam de William, acompanhados do Major Ringo e de um policial de cabelos dourados e sorriso fácil. Copos na mão, o álcool suaviza suas expressões.

— Capitão, quem realmente são esses forasteiros? — Pergunta, George, lançando um olhar desconfiado para Madm.

Charlie inclina a cabeça e acrescenta:
— Estavam com o Muller. O senhor parecia pronto para investigá-los… e agora os trata como velhos amigos?

William hesita, procurando uma resposta que pareça convincente, mas Let intervém com um sorriso conquistador:

— Vocês, homens, deveriam fazer como meu irmão: ouvir mais as mulheres. Muitos de vocês nem trouxeram suas esposas para celebrar este grande momento conosco. Mas, quando vi o grupo, os reconheci. Lembrei deles quando nos conhecemos na Inglaterra.

O jovem policial de cabelos dourados rebate:
— Hey, Let, eu não sou casado.
Ele ergue o copo e completa, mais animado:
— E também não questionei nada! Seja quem forem, eles curaram a dona Ângela… e deixaram vocês ricos!
Ele ri alto.
— Só lamento você não tê-los levado à minha casa.

A fala impulsiva do Dourado, somada ao clima festivo e ao álcool, silencia o grupo. George ri, bate no ombro de William e diz:
— Tá certo, Let. Pela amizade com o capitão, vamos deixar quieto… por agora.

Ringo observa o grupo com firmeza.
— Anderson, você deveria desconfiar menos de homens íntegros como o Capitão William… e mais da sua própria sombra.
Ele então se volta para o jovem:
— Quanto a você, Dourado, se quiser ser um bom policial, fale menos besteira.

O major olha para Charlie, que abaixa a cabeça, e encerra o assunto.

Let se afasta dos policiais e se aproxima de Amada, tocando seu braço e apontando para Madm, que conversa com uma jovem loira.

— Seu marido vai fazer sucesso. Você não tem ciúmes de vê-lo conversando com garotas solteiras como a Blue Mary?

Amada balança a cabeça e sussurra:
— Vivi com ele por oitenta anos. Se isso não bastou para que aprendêssemos a confiar um no outro… melhor nos separarmos.
Ela observa Madm e prossegue:
— Além disso, a Blue Mary é amiga da Ângela. Parece realmente feliz pela cura.

Blue Mary, empolgada, exclama diante de Madm:
— Eu prometo que vou orar todos os dias por vocês! Ângela estava sofrendo muito. Que Deus abençoe vocês! Minha amiga merecia essa cura!

Madm sorri e responde:
— Quem a curou foi Deus. Nós só fomos beneficiados por chegar aqui no tempo em que o Criador decidiu realizar milagres. Toda glória e honra pertencem somente a Ele.

Enquanto isso, Carlisle Cullen, de pele pálida e olhar penetrante, conversa com sua esposa perto da mesa de bebidas.

— Você reparou? Miguel não está aqui. E, aparentemente, os sete amigos da namorada dele estavam envolvidos no “milagre” da Ângela. — Diz Esme, fazendo aspas no ar.

Carlisle toca o queixo:
— Tudo muito bem arquitetado por Miguel… inclusive a ausência dele. Mas não sei onde esses sete estranhos se encaixam.
Ele então ergue o nariz levemente.
— Você sente o cheiro daquele policial? O Anderson?

— Cheiro não… fedor de cachorro. — Responde Esme, franzindo o nariz.

George, como se percebesse algo, ergue o rosto lentamente — e seus olhos avermelham por um instante. Os olhos de Carlisle e Esme também se estreitam, tensos. Os três se encaram diretamente.

— Ele não tem medo, Esme… — diz Carlisle, inquieto.

— É um lobisomem! Será que está envolvido? — Pergunta, Esme.

— Pouco provável. Mas deve estar investigando tudo… como nós. — Responde Carlisle.

William sobe numa cadeira e pede silêncio:
— Amigos, vizinhos, companheiros de batalhão… Como vocês sabem, hoje Deus nos visitou e trouxe cura à minha esposa. Quero que Madm, amigo que minha irmã conheceu na Inglaterra, nos diga algumas palavras. Vamos prestar um culto de gratidão nesta noite.

Madm se coloca à frente. Quando abre a boca, o quintal silencia.

— Fico feliz por esta oportunidade, William. Quero enfatizar que, segundo a Torá, no livro de Bereshit — Gênesis —, o Eterno criou o ser humano. Ele criou homem e mulher à Sua imagem. Eram perfeitos. Não deveriam morrer. Não deveriam adoecer. Doenças, dores e enfermidades… jamais deveriam existir entre os homens…

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