Quinta, 11 de Junho de 2026

5.3. Sete como setenta

Arco - Escolhidos e Enviados 19

03/05/2026 às 08h38 Atualizada em 17/05/2026 às 09h26
Por: Luan Dutra Fonte: Por Markon Machado
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5.3. Sete como setenta

Ponta Porã, Manhã de quinta-feira, 28 de março de 1963, no calendário católico — 3º dia dos Escolhidos e Enviados na nova realidade — 3/1 no calendário da Bíblia.

 

 

Em sua casa, na cidade, Thomaz Muller desperta ao lado de sua esposa — uma mulher robusta, de pele clara, olhos verdes penetrantes e cabelos castanhos presos em um coque firme.
Ele se levanta, coça a barba e murmura, com voz áspera de quem não dorme em paz:

— Dois dias de pura confusão. Esses falsos anjos apareceram com rostos iluminados, dizendo que vinham do céu, mas, na verdade, eram amigos da irmã do William. Golpistas se passando por santos, você acredita, Jady?

Jady, ainda deitada, ajeita o travesseiro e o observa com preocupação discreta:

— Não gosto de pensar que aquele policial esteja aprontando alguma para você. Eles podem ser gente perigosa.

Thomaz bufa, olhando pela janela como quem fareja ameaça no vento:

— Será que realmente são amigos da irmã dele na Inglaterra… ou talvez seja um plano maior?

Ele se cala. E o silêncio que fica é mais barulhento do que qualquer resposta.

 

Residência de William.

 

Nesse ínterim, o café da manhã transcorre em clima de paz e risos na casa de William. A luz da manhã entra pela janela da cozinha, tocando as xícaras fumegantes e o pão recém-assado. Madm, Amada, Menslike, Nokram, Luk, Healer e Bebeto dividem a mesa com William, Ângela e Let — uma comunhão simples, mas cheia de propósito.

Madm, segurando a xícara, cita com voz serena:
— Lembram do livro de Lucas, quando Yeshua enviou os setenta? Ele deu instruções claras: entrem na casa de quem os receber, fiquem por lá e recebam tudo que lhes oferecerem. Nós faremos assim enquanto estivermos na sua casa. E, se você permitir, William, ficaremos aqui.

Menslike ri, o sorriso aberto quebrando a solenidade:
— Yeshua os mandou de dois em dois nos seus dias, mas somos sete! Vamos dar prejuízo!

Risos se espalham. O clima é leve, humano, quase familiar.
William retribui o riso, sincero:
— Se vocês vieram realmente a serviço de Deus para nos abençoar, não nos causarão nenhum prejuízo.

Ele e Ângela se levantam, arrumando-se para a viagem.

— Tão rápido? — Pergunta Madm, curioso. — Será que o exame ficará pronto em apenas um dia?

William responde, com confiança e gratidão:
— O Dr. Cullen é muito eficiente.

A casa se silencia por um instante. Lá fora, o vento balança as folhas da mangueira, como um sinal de que o dia apenas começou.

 

Batalhão de Polícia.

 

Neste mesmo horário, no batalhão de polícia, Charlie Swan e George Anderson conversam, perplexos:

— O Capitão William não veio trabalhar de novo. E agora está com aqueles estranhos que apareceram na casa do Muller. — Diz Swan.

Anderson assente, cruzando os braços:
— É estranho. Algo nessa história não faz sentido.

Os dois ainda trocam olhares desconfiados quando um terceiro oficial se aproxima. O som firme das botas ecoa pelo corredor. É o Major Ringo, homem de expressão serena, mas de autoridade natural. Ele os encara com sobriedade e diz:

— O Capitão sempre foi um exemplo de caráter para todos nós. Vocês deveriam simplesmente aceitar que ele reencontrou amigos e está sendo um bom anfitrião. Apenas isso.

Charlie e Anderson se entreolham. Por um instante, o silêncio paira entre eles — o tipo de silêncio que parece conter dúvidas e ordens ao mesmo tempo.

Swan então quebra o clima, levando a mão ao quepe em sinal de respeito:
— O senhor tem razão, Major Ringo.

O major dá um leve aceno e segue pelo corredor. As botas ecoam até desaparecerem, deixando para trás apenas o som distante de um rádio comunicador… e o peso de uma certeza que ninguém ousa questionar.

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