Quinta, 11 de Junho de 2026

6.1. A noite mais escura

Máfia de Gotham 4

04/05/2026 às 15h43 Atualizada em 11/05/2026 às 16h54
Por: Luan Dutra Fonte: Por Markon Machado
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6.1. A noite mais escura

Gotham, 1953.

 

A névoa noturna envolve as ruas estreitas de Gotham, tingindo com sombras o ar com tons de cinza e preto, enquanto o brilho fraco dos postes reflete nas poças d’água do beco ao lado do cinema Monarch Theatre.
O silêncio é quebrado pelo som de passos apressados. O recém-chegado detetive James Gordon, de sobretudo amarrotado e olhar determinado, avista um movimento suspeito e sinaliza para seu parceiro, Harvey Bullock, um homem robusto com um charuto na boca. Eles descem do carro e se aproximam.

— O que ocorreu aqui? — Pergunta, Gordon, com a voz firme, apesar da tensão.
— Bem-vindo a Gotham, parceiro. — Responde Bullock, puxando o distintivo. — Saiam da frente, Detetive Bullock, DP de Gotham!

A multidão se dispersa, revelando uma cena trágica.
Uma garotinha, com cabelos claros e olhos marejados, consola um garotinho que chora inconsolavelmente sobre dois corpos inertes.
O cheiro de sangue e pólvora paira no ar, misturado ao frio cortante.

— Vai ficar tudo bem! — Diz a garotinha, abraçando Bruce.

Gordon se aproxima, o coração apertado ao ver as vítimas.
Por um instante, o tempo parece parar — o barulho da cidade se apaga, e só o som do vento e do pranto da criança preenche o beco.

— O que ocorreu aqui? — Indaga, agachando-se.
— Ele perdeu os pais, como eu. — Responde a garotinha, com voz trêmula.

Gordon examina os corpos, notando a ausência de documentos.
Bullock se aproxima e, com um grunhido, reconhece os rostos.
Por um breve segundo, ele também se cala — o peso da tragédia o atinge antes das palavras.

— Que merda! — Exclama, cuspindo o charuto.
— Você está diante de duas crianças, Bullock. Contenha suas palavras. — Adverte Gordon, com o tom cortante.
— Que merda, Gordon, estes são Thomas e Martha Wayne, os proprietários dos Impérios Wayne. — Corrige, Bullock, voltando-se para Bruce. — E você é Bruce Wayne?
— Bruce Wayne? — Repete, a garotinha, surpresa.

Gordon a puxa de lado, sussurrando:
— Como é seu nome?
— Selina. — Responde ela, com os olhos fixos no chão.
— O que aconteceu aqui? — Pergunta, Gordon, com um tom agradável, sem ter noção da gravidade do crime que acaba de ocorrer.
— Um morador de rua, acho que sei quem é. Ele sempre fica aqui, os assaltou e matou. — Explica, Selina, com a voz carregada de tristeza.
— Fique aqui, eu já volto para falar contigo. — Diz Gordon, aproximando-se de Bruce, que soluça sobre os corpos. — Bruce, Bruce, filho, ouça-me, por favor.

Bruce engole o choro por um instante. Seus olhos estão vermelhos — mas há neles algo além da dor: o início de uma chama silenciosa.
Gordon continua:
— Eu vou descobrir quem foi o assassino e vou colocá-lo na cadeia!

Selina ri baixo, um som quase irônico. Gordon se vira e ela diz, sem ser questionada:
— Cuidado, detetive. Estamos vivendo em Gotham!

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