Quinta, 11 de Junho de 2026

5.2. Assalto na ópera

Máfia de Gotham 3

02/05/2026 às 21h00 Atualizada em 11/05/2026 às 16h54
Por: Luan Dutra Fonte: Por Markon Machado
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5.2. Assalto na ópera

Manhã de quinta-feira, 28 de março de 1963, no calendário católico — 3º dia dos Escolhidos e Enviados na nova realidade — 3/1 no calendário da Bíblia.

 

Após o desabafo do dia anterior com Alfred Pennyworth, Bruce acorda com o coração em chamas. “Eu vou matar aquele desgraçado!”, pensa ele, com a mente obscurecida pela raiva.

Ele se dirige a um cofre escondido e o abre com mãos firmes, mas trêmulas de fúria. O metal frio exala um leve cheiro de óleo e pólvora antiga. Ele retira uma Colt Python 357 Magnum — uma arma elegante e poderosa de 1963, adequada a um bilionário — e a oculta sob a blusa com um coldre discreto.

Sai intempestivo, ignorando Alfred, que o observa da escada, perplexo.

“O que será que o patrão vai fazer?”, murmura o mordomo em seus pensamentos, o coração apertado pela mesma pergunta que o silêncio da mansão parece fazer ecoar.

 

Gotham City, 1953.

 

O ar da noite cheira a inverno e a perfume caro. A mansão Wayne, banhada por uma luz dourada que atravessa os vitrais, é um retrato de elegância e inocência prestes a ser ferida. Martha penteia com doçura os cabelos do pequeno Bruce, enquanto o menino balança as pernas, impaciente.

— Mamãe, eu não gosto de ópera. — Reclama ele, franzindo o nariz.

— Ópera é uma das melhores formas de expressão de arte. A sociedade seria diferente se apreciasse as melhores manifestações culturais. — Justifica, Martha, sem perder o sorriso.

Thomas entra, ajustando o paletó, o cheiro leve de colônia mistura-se ao brilho da gravata impecável.

— E a ópera de hoje é especial, não será tão tradicional. É inovadora! Você vai gostar, Bruce.

— Espero que sim, papai. — Responde o garoto, relutante, mas respeitoso.

A família segue para o carro. No banco traseiro, Bruce observa as luzes de Gotham passando pela janela — o brilho dos letreiros, os becos úmidos, as sombras que parecem se mover por conta própria. Thomas e Martha conversam, com a leveza de quem ainda acredita no poder da bondade.

— Me preocupa o aumento desta onda de violência. — Diz Martha, olhando a rua pela janela.

— Semana que vem realizaremos mais um evento social para arrecadar fundos para os programas sociais da empresa. A única maneira de atenuarmos a violência é promovendo assistência a quem precisa. — Responde Thomas, convicto.

— Thomas, Thomas, você e suas críticas ao modelo capitalista de nosso país. — Brinca, Martha, com um riso delicado.

— Se me chamarem de comunista por tentar promover condições para que os mais pobres tenham dignidade, então eu realmente serei comunista, meu amor. — Enfatiza Thomas, sorrindo com afeto.

O motorista interrompe, com voz respeitosa:
— Sr. e Sra. Wayne, chegamos!

Ao descerem, o frio da noite envolve o trio. Diante do teatro, um morador de rua pede moedas. Thomas se aproxima, e a luz do poste reflete na carteira cheia de notas de cem dólares. Ele pega algumas moedas e as entrega.

O homem murmura, baixo, com desprezo contido:
— Carteira cheia e, pra mim, apenas algumas moedas. Que ridículo…

A família entra no salão da ópera, iluminado por lustres imensos e o burburinho elegante da elite de Gotham. Bruce, maravilhado e incomodado, observa os dançarinos que se preparam. A música começa — e o espanto toma o lugar da admiração.

Dançarinos mascarados de morcegos deslizam pelo palco em movimentos ágeis e sombrios. Bruce empalidece. Seus olhos arregalam-se, e os “ticks” nervosos voltam. O medo sobe como um arrepio pelas costas.

Thomas, sorrindo, sussurra no ouvido da esposa:
— Percebeu o quanto este espetáculo é diferente?

Martha aponta discretamente para o filho. Bruce treme, tapa o rosto com as mãos.

— Está com medo, filho? — Pergunta, Thomas.

— Papai, eu quero ir ao banheiro. — Diz Bruce, com voz trêmula.

— Pode ir, filho. — Responde o pai, com paciência.

— Não! Tem morcegos! — O menino quase chora.

Martha, preocupada, sussurra:
— Amor, ele está com trauma de morcegos desde a queda de ontem na caverna.

— Entendi! Você acha melhor irmos embora? — Murmura Thomas.

— Pergunte ao Bruce. — Responde Martha.

— Filho, você prefere ir embora? — Pergunta o pai, em tom suave.

— Sim! — Responde Bruce, sem hesitar.

Discretamente, o casal se levanta. A plateia mal percebe. Thomas segura a mão do filho, Martha a outra. Ao saírem pela porta lateral, o som abafado da orquestra se mistura ao vento frio da rua.

Thomas se curva, sorrindo arrependido:
— Filho, me perdoa por insistir em te trazer, foi muita falta de tato da minha parte.

— Ok, papai! Te amo! — Diz Bruce, abraçando-o.

Thomas o aperta, emocionado — mas o momento é interrompido pelo grito súbito de Martha:
— Oh! Não!

Uma arma brilha sob a luz do poste.

— Passa a carteira! — Ordena o morador de rua, o mesmo que recebera as moedas na entrada. Sua voz sai rouca, embriagada de raiva e desespero.

Thomas ergue as mãos, tentando apaziguar.
— Sim, claro! Tudo que você precisa!

— Passa logo, não estou de brincadeira! — Exige o homem.

— Calma, vou pegar minha carteira e te passar. — Thomas entrega o que o ladrão quer, e Martha, assustada, passa a bolsa.

— Agora, o colar em seu pescoço, isso deve ser caro! — Exige ele, apontando a arma.

Enquanto Martha retira o colar com dedos trêmulos, Thomas se move, instintivamente — um gesto mínimo, talvez de proteção.

O gatilho clica. O estampido corta o silêncio.

“Pow” – dispara a arma!

— Oh! Não, por que você atirou?! — Grita Martha, desesperada.

“Pow” – Outro disparo. Ela cai.

O homem foge, os passos ecoam nas paredes úmidas do beco, a respiração arfante desaparece na noite.

Bruce se ajoelha sobre os corpos, as mãos pequenas tentam conter o sangue que escapa.

— Mamãe! Papai! Mamãe, papai! — Ele grita, em desespero absoluto.

O garoto chora e é observado por uma garotinha de olhos grandes e sujos de fuligem — paralisada, com seu corpo miúdo tremendo.

Ela segura um pedaço de pão velho contra o peito, como se fosse um escudo.

O colar de Martha, caído no chão, reflete a luz dos postes e brilha em seu olhar úmido.

 

Manhã de quinta-feira, 28 de março de 1963, no calendário católico.

 

Os flashes piscam como relâmpagos. O som das câmeras, dos passos e das vozes cria uma parede de ruído ao redor. O ar tem cheiro de fumaça, suor e metal — o frio da arma sob a blusa toca o corpo de Bruce, lembrando-o de que não há mais volta.

Bruce, com a arma oculta, estaciona diante do tribunal. Repórteres o cercam:

— Sr. Wayne, o senhor acha justo esta lei de delação premiada? — Pergunta uma.
— Como o senhor se sente vendo a possibilidade de ver o assassino de seus pais sendo perdoado? — Indaga outra.
— Sr. Wayne, o perdão a Joe Chill em troca de nomes da máfia de Gotham pode representar que o legado de seus pais viva e a morte do casal Wayne não tenha sido em vão? — Questiona um terceiro.

Ignorando a imprensa, Bruce avança, determinado a confrontar a impunidade.

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