Quinta, 11 de Junho de 2026

3.1. Para a delegacia

Arco – Escolhidos e Enviados 8

20/04/2026 às 12h51 Atualizada em 11/05/2026 às 16h50
Por: Luan Dutra Fonte: Por Markon Machado
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3.1. Para a delegacia

MT – 164.

 

A manhã avança quente em Ponta Porã.

O sol queima a estrada de terra, o ar vibra seco, e a caminhonete Chevrolet Brasil ronca forte enquanto avança pela poeira suspensa.

Aparício dirige com o peito estufado. Na carroceria, o grupo dos escolhidos e enviados observa o caminho. O vento bate no rosto, levantando poeira.

O local cheira a campo, suor, gado e autoridade de coronéis.

Luk se segura com calma e pergunta:

— Não dá multa a gente andar aqui atrás?

Menslike sorri, meio nostálgico:

— Estamos em outra época, outro mundo. As coisas aqui são diferentes.

Bebeto, alegre, quase salta mediante a trepidação:

— Eu, que vivi pouco, andava em carroceria de carros. Sério que vocês nunca andaram?

Menslike suspira:

— Eu andei, mas eram tempos difíceis.

Healer, sério, referência moral:

— É ilegal!

Dentro da cabine, Amada segura o braço de Madm com suavidade inquieta:

— Não corremos risco de implicarem conosco por não termos documentos e termos esse pessoal atrás?

Aparício ri com arrogância tranquila:

— Esse carro é de Thomaz Muller. Você acha que algum policial militar ousaria desafiá-lo?

Mal ele termina de falar e logo à frente, eles avistam uma barreira policial.

Ao sinal do policial, Aparício estaciona o veículo.

Um policial alto, forte, de cerca de dois metros de altura, se aproxima dizendo:

— Opa, opa… bom dia…

Antes que o policial prossiga, Aparício diz:

— Bom dia, Sargento Refúgio, são convidados do Sr. Muller, serão hospedados em sua casa na cidade.

Reconhecendo Aparício, Refúgio sinaliza para seguirem, dizendo:

— Pode ir, pode ir!

— Viu! — Comemora Aparício, batendo no volante.
Contudo, um apito cortante ecoa e um homem de uniforme impecável, com cabelo negro e feições angulares, se aproxima, com a voz firme:

— Bom dia, Capitão William. Já fomos liberados. — Diz Aparício, tentando manter a calma.
— Eu percebi como vocês foram liberados, mas quem são seus convidados? — Pergunta William, com os olhos estreitando-se.

— São amigos queridos do Sr. Thomaz Muller, o senhor Madm, sua esposa, Amada, e seus familiares. — Responde Aparício, hesitante.

Madm estende a mão em cumprimento, mas William corta:

— Vocês podem me passar sua documentação?

— Ah, é, eles… vocês podem passar a documentação? — Gagueja Aparício, perdido.

Madm e Amada trocam um olhar silencioso. William repete, impaciente:

— Vocês ouviram o que eu disse?

O silêncio pesa e Madm, respirando fundo, confessa:

— Estamos sem documentação.

— Sem documentação? Então, vocês podem descer? — Ordena William.
Madm e Amada saem da cabine, enquanto dois policiais os cercam. Um terceiro, aquele que o parou e liberou no primeiro momento, aproxima-se da janela para falar com Aparício. William contorna o veículo e ordena ao grupo na carroceria:

— Desçam também. Vocês são de onde?

Madm hesita, olhando para Amada, e decide:

— Dessa região mesmo.
— Me passe seu nome completo para eu checar. — Insiste William.

Madm, após um instante, corrige:
— Tony Madm, mas não somos daqui.

William franze a testa:

— Desculpem-me! Eu entendi errado. Achei que tivessem dito que eram dessa região.
Amada abraça Madm, tentando apaziguar:

— Nós que queremos nos desculpar. Somos desta região, mas não somos daqui. Estamos retornando agora e sem documentos.

Madm completa, com cautela:

— Na verdade, somos dessa região, mas não somos daqui. Somos de outro lugar que é semelhante a esta região.

William, irritado, indaga:

— Vocês estão caçoando de mim?

Aparício deixa a cabine, intercedendo:

— Algum problema?

— Todos! Os amigos do seu patrão estão sem documentos e terão que me acompanhar. Vou levá-los à delegacia. — Declara William.

— Eles cometeram algum ilícito? — Pergunta Aparício.

— Eu não sei, mas parece que perderam o documento. Isso tem que ser registrado na DP, correto? — Propõe William.

— Está correto. — Concorda Aparício, relutante.

— Vocês podem me acompanhar. — Diz William, gesticulando.

Madm e Amada pegam suas coisas, enquanto William ordena:
— Anderson, Swan, convidem os outros três companheiros a os acompanharem e me sigam em outra viatura.

Aparício toca o ombro de Madm, sussurrando:
— Vou avisar o Sr. Muller. Fiquem tranquilos, tudo vai terminar bem.

O Capitão William entra na viatura, com Madm e Amada no banco de trás e Menslike à frente. Nokram junta-se aos pais. Luk, Healer e Bebeto seguem em outra viatura com Anderson e Swan.

Na viatura onde William se encontra, ele avisa:
— Vou deixá-los à vontade, mas se tentarem fugir, serão tratados como bandidos. Imagino que não colocarão a reputação de Thomaz Muller em risco.

Enquanto a viatura se afasta, Aparício troca palavras com o Sargento alto, do bigode grosso, dizendo:

— Exatamente como prevíamos, Sargento Refúgio. Muller terá que tirar esse capitãozinho do batalhão urgente, mas, por ora, ele fez exatamente o que precisávamos. Agora vamos descobrir quem são esses de verdade.

— Com todo respeito, existem outras formas do Sr. Muller puxar a capivara dos dois — Pontua, o sargento.

Aparício, subindo na caminhonete, acrescenta:

— Se eles forem inocentes, William se ferra. Se forem culpados, vamos ferrar o William da mesma maneira.

O motor ruge e a picape retorna à fazenda, deixando um rastro de poeira no ar.

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