Quinta, 11 de Junho de 2026

3.4. A esposa de William

Arco – Escolhidos e Enviados 11

22/04/2026 às 20h30 Atualizada em 17/05/2026 às 15h50
Por: Luan Dutra Fonte: Por Markon Machado
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3.4. A esposa de William

Casa de William em Ponta Porã.

 

 

Algum tempo depois, a viatura da polícia militar guiada por William se aproxima de uma bela casa e estaciona em frente à mesma. O som do motor cessa, mas o calor e a poeira da estrada parecem entrar junto deles. Madm, Amada, Menslike e Nokram descem com William.

A porta da casa se abre e uma mulher sai correndo, com um pano amarrado na cabeça — o lenço cobre não apenas o couro cabeludo frágil, mas uma dignidade segurada com força. Ela abraça o capitão, quase se pendurando nele, e diz:

— Amor! Veio mais cedo, hoje?

— Sim, e trouxe convidados. — Responde William.

Amada percebe imediatamente a simplicidade das roupas, a pele suave e pálida, e a cabeça quase sem cabelos protegida pelo lenço. É como ver uma flor cuidada com amor tentando resistir ao vento do deserto. Ela não segura a pergunta:

— Essa é sua esposa?

Os olhos de William lacrimejam, a voz embarga — só por um momento — e ele responde, com a dor que só quem ama profundamente consegue carregar:

— Sim! Como eu disse, ela tem leucemia, estamos lutando contra esta doença, mas creio que a Ângela vencerá essa doença em breve.

Ele beija a testa dela com devoção.

— Você vencerá, não é mesmo, amor?

Madm se comove com o olhar apaixonado do capitão — aquele tipo raro de amor que não precisa de prova — e sorri de leve:

— Certamente vencerá, capitão.

William prossegue, meio confissão, meio desabafo de homem que carrega o mundo:

— O tratamento adequado não pode ser pago com o salário de policial.

Madm respira fundo, como se já soubesse o peso dessa dor.

— Existem coisas que o dinheiro não pode comprar, porém a misericórdia de Deus, hoje, chegou à sua casa. A partir de hoje, seus sofrimentos diminuirão.

— Como você está se sentindo hoje, meu amor? — Pergunta William.

— Estou com as dores de sempre, mas estou bem. — Responde a mulher de bandana, com a voz doce e cansada.

Madm se aproxima com respeito. Coloca as mãos nos ombros dela. Ela estranha, os músculos endurecem e o olhar dela lança uma dúvida agressiva — até ver o sinal positivo de William. Ela respira. Relaxa.

— Pode ir ao médico consultar-se, nenhum mal te atinge agora! — Diz Madm.

Por um momento, nada acontece.
Então, algo simples — quase indetectável:

Ângela inspira devagar… e o peito dela desce sem dor. A mão que segurava o lenço relaxa. Seus olhos piscam, confusos. A testa enruga. Ela leva discretamente a mão ao abdômen, ao peito, à região das costas — procurando a dor que sumiu.

— Como está se sentindo? — Pergunta Amada.

Ângela fala, ainda surpresa com o próprio corpo obedecendo:

— Então… aparentemente, minhas dores sumiram.

— Você está curada! — Diz Amada, sorrindo como quem já sabia.

Uma jovem morena clara sai da casa. Vê o grupo reunido e pergunta:

— Está tudo bem?

Menslike a vê — e o tempo muda para ele. O coração acelera, quase como um aviso. Ele não entende, só sente — como se o destino soprasse antes de se revelar.

William apresenta:

— Madm, Amada, Nokram, Menslike, esta é minha irmã, Letícia.

A jovem sorri com a segurança simples de quem nasceu com tons femininos apaixonantes.

— Prazer, Let.

Amada e Madm acenam. Menslike, sem nem pensar, inclina-se e beija a mão dela. O gesto é antigo, fora do tempo — e todos sentem o impacto silencioso no ar. Let pisca, surpresa e ruborizada. Há desconforto, sim — mas também curiosidade e graça.

Ângela quebra o momento:

— Perdão, eu não me apresentei ainda, meu nome é Ângela.

— Seu esposo disse tudo sobre você, Ângela. — Comenta Amada, e conclui: — E sobre você também, Let.

Let olha para o irmão:

— Meu irmão? Quem são vocês?

— São enviados de Deus que vieram nos abençoar, Let. — Responde William.

— Meu esposo curou sua cunhada. — diz Amada, feliz.

Let encara Madm, ainda racional:

— Você a curou?

Madm apenas diz:

— Seu irmão irá hoje à tarde ao médico fazer uns exames para obtermos respostas precisas.

A família os convida para entrar. O ambiente é simples, humilde, cheio de amor. Ângela serve pães, leite e chá para o grupo, enquanto Let ajuda a preparar o almoço.

O grupo come com reverência e fome.
Eles contam sua missão.

— Fomos ricos, pobres, vimos o mundo acabar, o Mashiach nos salvar e, por fim, para cá nos enviar. — Diz Madm.

Let ri:

— Até rimou.

— Meu esposo é um poeta! — Diz, Amada, beijando o rosto dele.

— Meu pai é minha inspiração! — Diz Menslike.

William observa. Apreensivo. Mudado. Metade convertido, metade inquieto.

Let pergunta:

— Quais são seus poderes?

Nokram responde firme:

— Não temos poderes. Todo poder pertence ao Altíssimo.

Madm explica com calma eterna:

— Quando nos enviou, Peniel, o mensageiro de Deus, disse que eu poderia curar as pessoas e atenuar ou eliminar os efeitos diretos do pecado…

Amada completa:

— … Morte, envelhecimento, doenças…

Let arregala os olhos.

— Abrir a boca de animais? — Pergunta ela, quase rindo.

Amada confirma, serena.

William fala, vulnerável:

— Hoje eu fiquei cego por alguns segundos… e fui curado.

Let fica muda.

— O almoço está pronto. — Diz ela.

Amada olha para William:

— Não podemos comer sem meus cunhados e meu sobrinho.

William se lembra dos outros.

 

 

MT-164, momentos antes.

 

— Vou levá-los à minha casa — diz William — levem o menino e os outros dois à delegacia até minha chegada.

 

 

Agora:

 

William se levanta.

— Podem almoçar, vou buscar os meninos.

Ele sai.

E o ar, que estava pesado, agora parece esperar o desfecho inevitável que se aproxima.

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