Quinta, 11 de Junho de 2026

3.6. A cura de Let.

Escolhidos e Enviados 13

23/04/2026 às 09h49 Atualizada em 11/05/2026 às 16h51
Por: Luan Dutra Fonte: Por Markon Machado
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3.6. A cura de Let.

Residência de William.

 

Após a saída de William, todos começam a almoçar, exceto Amada, que permanece com a postura alerta, temendo o rumo dos acontecimentos no ar.

O som dos talheres é tímido, quase respeitoso. Há uma tensão tranquila no ambiente, como se o ar, ainda quente, carregasse expectativa.

Let não aguenta a curiosidade que a corrói.

— Então, vocês realmente podem evitar a morte?

Madm responde firme, sem hesitar:

— Foi o que Deus nos disse que poderíamos fazer.

Let inclina o rosto, arqueando as sobrancelhas, testando cada palavra.

— Vocês ou você?

Menslike se inclina um pouco à frente, peito expandido, orgulho sincero vibrando:

— Nós somos um time! O que um de nós fizer, todos fazemos juntos!

Mas Nokram fala com a calma profunda de quem contempla o eterno:

— Nós acompanhamos nosso pai, Deus creditou a ele nos liderar e, por isso, ele recebeu todo o poder.

Let o encara de novo, franzindo o cenho, confusa com a dinâmica.

— Seu pai, você é mesmo o pai deles? Pois parece ter a mesma idade!

Nokram sorri com serenidade:

— Fomos rejuvenescidos pelo poder de Deus!

Menslike se anima, quase brilhando de entusiasmo juvenil:

— Viu! O poder de Deus atua em todos nós!

Amada segura a mão de Madm, com olhos de quem crê e celebra:

— Sim! Pois estamos sempre juntos. Deus escolheu dar grande poder ao meu esposo, mas este poder pertence a Deus e favorecerá todos nós!

Let dá um sorrisinho de canto, quase admirando sem admitir:

— Você é uma mulher de sorte!

Amada retribui com um sorriso doce e seguro, mas há firmeza nas palavras, na postura, no recato que equilibra tudo.

Ângela, percebendo o clima, intervém com bondade nervosa:

— William está demorando muito, não?

— Ele acabou de sair! — Let rebate, mexendo o pulso com um gesto impaciente.

O pano que cobre seu pulso chama a atenção de Madm, que observa com calma de profeta e compaixão humana.

— O que foi no seu braço? — Pergunta ele, voz suave, quase um cuidado natural.

Let pausa por meio segundo — o olhar endurece, o peito prende o ar — antes de responder:

— Eu tenho o pulso aberto.

Ela segura o pano instintivamente.
Madm estende a mão e toca o braço dela com reverência, e Let sente um arrepio subir do pulso até o ombro, como se um fio gelado e quente ao mesmo tempo corresse pela pele.

— Retire o pano de seu braço.

Ela recua sutilmente, ombros tensos.

— Eu não posso. Dói!

Amada se inclina levemente, olhos marejados de certeza:

— Você não crê que meu esposo possa te curar?

Let trava. O mundo fica abafado por um segundo.

“Se a mordida do Miguel aparecer, eu terei que dizer que isso foi resultado do toque desse cara… e se o poder dele não puder curar uma mordida sobrenatural? Vou precisar mentir?”

Ela fecha os olhos e relembra do que levou à tal ferida. Um ser com aparência de homem, com poucas vestes, respira próximo a seu pescoço, leva seu cabelo e morde sua nuca.

Let volta a si, mas relembra do mesmo ser, gentilmente se alimentando de seu sangue, curvando-se diante dela, mordendo seu pulso.

Ângela a traz de volta:

— Verdade, cunhada, se ele não te curar, saberemos que ele não tem poder.

Amada vira lentamente o rosto, olhar fixo, protetor:

— Está duvidando de meu marido?

— Não. — Ângela corrige-se, nervosa. — É que, se ele mostrar que curou minha cunhada, certamente ele confirmará que tem poder.

Let respira fundo — o ar entra trêmulo — e decide.

Ela desfaz o pano. Ele cai sobre o colo, leve como um segredo.

O pulso aparece — perfeito. Sem marca. Sem dor. Sem memória física do horror. Ela arregala os olhos. O ar engasga na garganta. A cadeira quase range quando ela se ergue ligeiramente, chocada — viva.

Madm pergunta, sereno como quem já sabe:

— Sente alguma dor?

— Não. O senhor me curou! — Let diz, quase num salto, a voz quebrando entre espanto e alívio.

Nokram, com firmeza de rocha:

— Deus te curou!

Let leva a mão ao peito, tentando segurar o coração que dispara:

— Eu creio no senhor! Eu creio no seu Deus! A dor sumiu!

Ângela observa a cunhada com olhos que começam a brilhar com esperança.
Uma lágrima quase nasce — mas ela só aperta o pano nas mãos e sorri pequeno, frágil e grato. Lá fora, o vento muda de direção suavemente.

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