
O medo não avisa. Ele simplesmente abre o chão sob seus pés.
A névoa fria da manhã envolve a mansão Wayne como um manto vivo. Bruce, com apenas oito anos, caminha cabisbaixo pelo bosque particular, chutando folhas secas. Seus sapatos novos já estão sujos de terra.
— Bruce! Bruce, onde você está?
A voz de Martha ecoa distante. Ele abre a boca para responder, mas o chão cede.
O garoto desliza por um buraco oculto entre raízes e folhagem, engolido num instante. A mente gira. Ele desce por uma rampa natural de pedra úmida, arranhando joelhos e cotovelos, gritando enquanto cai cada vez mais fundo na escuridão. O ar fica gelado. Cheiro de terra molhada, musgo e algo selvagem invade suas narinas.
Ele bate com força no fundo da caverna.
Por um segundo, só há silêncio.
Então vem algo assustador. Milhares de asas batendo ao mesmo tempo — um rugido vivo, ensurdecedor. Centenas de morcegos explodem da escuridão, roçando seu cabelo, suas mãos, seu rosto. Bruce grita até a garganta arder, encolhendo-se contra a parede fria enquanto as criaturas voam em pânico ao seu redor.
— Mamãe! Papai! Socorro!
As lágrimas queimam. O peito dói tanto que parece que vai explodir. Ele fecha os olhos com força, mas o som das asas não para. Parece que a própria escuridão tem dentes e quer devorá-lo.
Lá em cima, na mansão, Martha Wayne vira-se bruscamente.
— Alfred! Você ouviu isso? Era o Bruce!
O mordomo já corre.
Dentro da caverna, o tempo perde o sentido. Bruce treme, encolhido, sentindo o cheiro do próprio medo. Quando finalmente desmaia, o último som que ouve é o eco distante do seu próprio grito.
Mín. 14° Máx. 21°