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Dream Life in Paris

Questions explained agreeable preferred strangers too him her son. Set put shyness offices his females him distant.

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16. Pressão e Resistência 

16.1. O Dragão e a Serpente. 

Terra, manhã, 14º dia do 1º mês do 8º ano após a criação. 

Fora dos limites do Éden, onde a luz já não é tão dócil e a criação parece respirar com menos delicadeza, o vento se torna mais frio e o céu mais amplo. É ali, numa região de rochas elevadas e vales silenciosos, que 
Nachash pousa. 

Suas asas, vastas e pesadas, levantam poeira e folhas secas. O dragão não ruge. Não precisa. Sua presença, por si só, impõe respeito. Ele caminha alguns passos, observando o céu e a vastidão das belezas da criação natural na Terra. 

Nachash está apenas apreciando a paisagem, admirando tudo que o Eterno criou e dando-lhe glória, quando Dragon Lord repousa ao seu lado. Seu corpo longo e escamado reflete a luz como metal vivo. Suas asas, abertas parcialmente, são belas — não apenas pela força, mas pela harmonia. Fogo ainda dorme em sua garganta, latente, obediente. Seus olhos são atentos, antigos, serenos. Ele não é tão diferente de Nachash, ambos são variações de Dragões, mas Dragon Lord, por ser celestial, tem forma ainda mais plena. 

Após parar ao lado de Nachash, ele inclina a cabeça, não em submissão, mas em reconhecimento. 

— É ainda mais belo de perto. — Diz ele, com voz grave. — As asas… a força… o fogo. Não há criatura na Terra que se compare a você, Nachash. Nenhuma. O homem não voa, não tem asas, não tem sua beleza, não cospe fogo. Você voa, domina o céu e, das suas narinas e boca, seu vento queima com fogo. É mais poderoso, mais belo, mais forte, mais inteligente. 

Nachash inclina levemente a cabeça, em sinal de respeito, mas não de vaidade. 

— Agradeço. — Responde. — Mas tudo isso recebi do Criador. Sou como sou porque Ele assim quis. A Ele sou grato. 

Dragon Lord dá alguns passos, circulando-o lentamente. 

— É justamente isso que não compreendo. — Diz, como quem confessa uma dúvida sincera. — Como alguém tão superior não governa a Terra? Como o homem, frágil e limitado, recebeu esse encargo… e não você? 

Nachash permanece em silêncio por um instante. Depois responde com calma. 

— O Eterno fez o homem à sua imagem. À imagem também dos sete governantes celestiais universais — os arcanjos. Por amor a si mesmo, entregou ao homem o governo da Terra. Não por força. Por vínculo. 

Dragon Lord observa com atenção. 

— Mesmo assim. — Insiste. — Você é mais forte. 

— O Jinn também era. — Responde Nachash, sem elevar a voz. — Mais poderoso. Mais sábio. Ainda assim, recusou-se a servir ao homem. Por isso foi reduzido. Preso numa lâmpada. Ele e sua amada, Djnnyia. Libertados apenas quando realizam três desejos humanos. Não apenas a força governa. Obediência também. 

O vento sopra entre as rochas. Dragon Lord não contesta. Ele concorda com a cabeça, lentamente. 

— Claro… claro — diz. — Tudo isso ocorre porque o homem não provocou a ira do Criador. 

Nachash o encara. 

— O que quer dizer? 

Dragon Lord ergue o corpo, tornando-se mais alto, mais imponente. Suas asas se abrem levemente, projetando sombra. 

— O que você acha que poderia romper essa aliança? Acabar com o vínculo entre o homem e seu Criador? — Pergunta. — O que tornaria o homem desprezível aos olhos do Eterno? 

Nachash franze o semblante, confuso. 

— Não sei… — diz. — O homem pode fazer tudo. Governa, dá nome às criaturas, planta, decide. É quase o verdadeiro deus da Terra. 

Dragon Lord suspira, como quem lamenta. 

— Que pena… — diz. — Então não há nada que o homem possa fazer para se tornar detestável para o Criador? 

Nachash abre a boca para negar, mas hesita. 

— Não… quer dizer… até tem. — Ele abaixa o tom. — Mas o homem jamais faria isso. 

— O quê? — Pergunta Dragon Lord, atento. 

— Comer da árvore do conhecimento do mal. — Nachash responde com seriedade. — O Criador proibiu a nós e ao homem de comermos. Disse que, no dia em que comermos, morreremos. 

Dragon Lord se aproxima um pouco mais. Sua voz agora é quase solene. 

— Disse bem. O homem jamais faria isso. — Ele pausa. — Mas… a mulher é tão fiel quanto o homem? 

Nachash não responde de imediato. 

— Se ela pecasse — prossegue Dragon Lord — e levasse o homem a pecar, não seria ela a culpada? E não seriam ambos dignos de morte? 

O silêncio pesa. 

— Se o homem se tornar detestável — continua — você, Nachash… o Dragão… a Grande Serpente… não se tornaria o governante da Terra? O mordomo do Éden? 

Nachash baixa o olhar. Algo se move dentro dele — não alegria, mas conflito. 

Dragon Lord percebe. Sabe que lançou a semente. 

Sem dizer mais nada, ele abre as asas. 

— Pense! — Diz apenas. 

E parte, voando de volta, deixando o ar agitado e a dúvida plantada. 

Nachash permanece ali, sozinho. Seus olhos se voltam para o horizonte. Ele não sorri. Seu peito pesa. 

Enquanto voa, Dragon Lord abaixa as pálpebras de seus olhos. Apesar de ter realizado seu plano com destreza, ele sabe que se o plano falhar, os shedim o amaldiçoarão. Por outro lado, se o plano der certo, o próprio Deus o amaldiçoará. 

Talvez… o destrua. 

16.2. O drama de Vlad, filho do Dragão. 

Império Otomano, 1447. 

Cinquenta e cinco séculos após a proposta de Dragon Lord a Nachash, na escuridão úmida de sua cela em Constantinopla, Vlad, agora um jovem de quinze anos, enfrenta a solidão com uma determinação silenciosa. As marcas das chicotadas ainda ardem em suas costas, sua mente lhe reserva um lembrete cruel da perda de seus ícones cristãos, o crucifixo de madeira e a imagem da Virgem Maria, arrancados por mãos brutais. Os soldados otomanos insistem em moldar sua alma, mas sua resistência permanece firme, enraizada nas memórias de sua infância na Valáquia. 

Diariamente, um mestre de barba grisalha e olhos penetrantes visita sua cela, recitando versos do Alcorão com uma cadência que ressoa como tambores de guerra. Vlad ouve em silêncio, mas seu coração se recusa a ceder. Antes de dormir, ele se ajoelha no chão de pedra, sentindo o cheiro de mofo invadindo suas narinas, e murmura em segredo três Ave-Marias e cinco Pai-Nossos, as palavras escapam de sua boca como um sussurro quase inaudível. 

— Perdoa-me, Senhor, por não honrar Tua cruz em público. — Sussurra ele, com os olhos fechados, o coração apertado pela saudade de Vlad II, Dracul, seu pai e voivoda da Valáquia. — Mas jamais renunciarei à Tua luz. 

A sensação de proteção da Virgem Maria o envolve como uma presença que o motiva, um farol na escuridão, mas a tensão cresce dentro dele, um conflito entre a religião católica de sua terra natal e a pressão implacável de seus captores. 

Cinco anos se passaram desde o sequestro, e Constantinopla, com seus minaretes que perfuram o céu e mercados pulsantes de especiarias e seda, tornou-se o palco de uma nova fase para os irmãos. Mircea, Vlad e Radu, outrora prisioneiros, agora se destacam como jovens guerreiros no exército otomano. Treinados na arte da guerra, manejam espadas com precisão letal, montam cavalos árabes com agilidade e recitam preceitos islâmicos sob o sol escaldante. A cultura otomana, com seus tapetes intricados e cânticos de muezins, os envolve, mas Vlad carrega um peso invisível. 

Ele observa Radu, o mais jovem, adaptar-se com facilidade, com os olhos brilhando ao absorver os versos do Profeta. Mircea, por outro lado, exibe uma dureza ambiciosa, sua postura altiva esconde intenções que Vlad não consegue decifrar. “O que resta de nós, irmãos?” pensa ele, afiando a cimitarra no pátio de treinamento. O metal reflete o sol como um espelho de suas dúvidas. “Somos ainda filhos da Valáquia, ou apenas sombras do Dragão?” 

16.3. Renfield. 

Residência de William, sexta-feira, 29 de março de 1963, no calendário católico, início do 5º dia do 1º mês no calendário da Bíblia. 

Após a reunião de Laila Shabat, Let se recolhe aos seus aposentos com o livro que Miguel lhe entregou. 

A capa é negra, sem título, na primeira página, ela lê novamente: “Drácula: O Vampiro Apaixonado”, e decide ler o mesmo. 

Na página seguinte, ela observa a mensagem: 

“Atente para quem você odeia, pois quando muito contemplamos o odiado, corremos o risco de nos tornarmos seu reflexo e agir de forma similar a este!” 

— Que louco! Ainda bem que eu não odeio nada e nem ninguém! — Comenta ela, sozinha. Imediatamente, sua mente é levada a considerar o sentimento que Miguel demonstra para com Drácula, senão, ódio explícito, algo muito próximo e sorri de forma irônica. 

Hungria, janeiro de 1891 – Pensionato “Águia Negra”, Brașov, Transilvânia. 

O inverno transilvano é um punho de ferro. A neve cai em lâminas grossas, cobrindo as ruas de paralelepípedos de Brașov com um manto branco que engole o som dos cascos dos cavalos. O Pensionato “Águia Negra” é uma relíquia gótica no coração da cidade velha: fachadas de pedra envelhecida, janelas altas com vidraças embaçadas pelo frio, e um salão principal aquecido por uma lareira crepitante que luta contra o ar gelado. O cheiro de pão recém-assado mistura-se ao de carvão queimado e ao suor de viajantes exaustos. Mesas de carvalho rangem sob pratos de ensopado fumegante, e o murmúrio de conversas em romeno, húngaro e alemão ecoa sob vigas enegrecidas pelo tempo. 

No centro do salão, um homem de uns 40 anos, magro e pálido como pergaminho, curva-se sobre sua refeição. Seu casaco surrado, outrora elegante, agora manchado de viagem, pendura-se nos ombros ossudos. 

“Coft, coft, coft!” A tosse explode de sua garganta como um trovão abafado, ecoando pelo salão. 

Ele vira o rosto e cospe para o lado, uma gosma vermelha e espessa que mancha o chão de madeira lascada. 

Os olhares se voltam imediatamente. Um mercador húngaro franze o cenho; uma família no canto sussurra preces; uma velha senhora cruza-se, murmurando “strigoi”. 

— Desculpe-me! Vou limpar! — Diz o homem, com voz rouca e apologética, enquanto tenta se levantar com as mãos trêmulas. 

— Não precisa, eu limpo, Sr. Renfield. — Responde a atendente, uma moça de uns 20 anos com tranças loiras e avental manchado. Ela se aproxima com um pano úmido, seus olhos se arregalam ao ver o sangue. — Senhor… isso é… sangue? — Indaga ela. 

Todos os olhos do pensionato fixam-se nele agora. Renfield interrompe a refeição, empurra o prato de gulyás intocado e sobe as escadas rangentes para seu quarto no andar superior. 

O quarto é uma cela austera: cama de ferro com colchão fino, uma mesa bamba sob a janela em arco, e uma única vela tremulante lutando contra as rajadas de vento que infiltram as frestas. 

Ele abre a janela com dificuldade, o gelo range nos vidros, em seguida, ele olha para a colina distante. Lá, recortado contra o céu cinzento e nevado, ergue-se o castelo: torres irregulares como dentes quebrados, muralhas cobertas de hera congelada, à beira do rio Olt, cujas águas negras serpenteiam como uma veia de tinta. A névoa sobe do vale, envolvendo a fortaleza em um véu espectral. 

— Espero que as histórias sobre você sejam verdadeiras! — Murmura ele, com o hálito formando nuvens no ar gélido. — Que o castelo que fica à beira do rio possa realmente esconder o segredo da vida eterna. 

Ele arruma suas roupas com mãos febris, vestindo um casaco de lã grossa, luvas rasgadas, um chapéu de feltro amassado. Após isso, ele desce as escadas com passos decididos. No salão, agora mais vazio, ele para diante do balcão. 

— Quanto devo pela estadia nesta espelunca? — Pergunta ele, com voz altiva, mas entrecortada por outra tosse abafada. 

A atendente hesita, com o pano ainda na mão. 

— O senhor está doente, não pode partir nesse estado. 

Renfield se aproxima, inclinando-se para o ouvido dela, o cheiro de doença e desespero emana dele. 

— Eu vou em busca da cura. Eu vim em busca da solução para o meu problema. — Ele pausa com os olhos vidrados. — Não viu como todos me olharam há pouco quando tossi? 

Suas palavras são interrompidas pelo dono do pensionato, um homem corpulento de bigode farto e avental de couro, emergindo da cozinha com uma expressão grave. 

— Não sei o que o senhor procura, Sr. Renfield, mas tenho certeza de que coisas boas o senhor não encontrará naquele castelo. 

Renfield endireita-se, seus olhos faiscam com uma loucura contida. 

— Se minhas pesquisas estiverem corretas, lá vive alguém que superou a morte e atravessou séculos. 

O dono ri seco, limpando as mãos no avental. 

— Aquele castelo é ocupado por ciganos! Ciganos que são presos durante a lua cheia. Se esses ciganos precisam ser contidos nas noites de maior luz, que bem eles podem fazer ao senhor? 

— Eu não estou atrás deles. Estou atrás do senhor deles, aquele que viveu através dos séculos. O grande herói da Transilvânia e da Valáquia, que viveu no passado. — Rebate Renfield, a tosse voltando a sacudir seu peito. 

O proprietário balança a cabeça, com a voz baixa e carregada de advertência. 

— Ninguém vive através dos séculos, meu senhor. E acredite, todos que adentram àquele castelo sem ser convidados não retornam vivos. 

— Basta! — Grita Renfield, com o rosto ruborizado. — Chega com suas superstições! Partirei agora mesmo! 

Ele joga moedas no balcão — coroas austro-húngaras que tilintam —, e diz à atendente: 

— Pode ficar com o troco! 

Em seguida, ele pega suas bagagens — uma mala de couro gasta — e sai para a rua nevada. O frio corta como lâminas, o vento uivao pelas vielas. Um cocheiro o espera à porta, encostado em uma carruagem simples, puxada por dois cavalos negros de crinas emaranhadas. A neve acumula-se no capô e nas rodas. 

Renfield coloca as coisas na carruagem e se assenta no banco duro. 

O cocheiro, um homem de rosto marcado pelo tempo e barba grisalha, vira-se com olhos cautelosos. 

— O senhor sabe que todas as pessoas que adentram aquele lugar sem ser convidadas não retornam? 

Renfield o encara, frio. 

— Eu te contratei para fazer perguntas? 

O cocheiro engole em seco, estala as rédeas, e a carruagem parte pelo caminho íngreme — uma trilha sinuosa ladeada por pinheiros cobertos de gelo, subindo em direção à colina. A neve range sob as rodas, o rio Olt rugindo ao longe como um presságio. 

À medida que avançam, o cocheiro adverte novamente, com a voz tremendo ligeiramente: 

— É inverno, e o senhor sabe que só o levarei até onde minha carruagem conseguir trafegar. 

Renfield responde em seco: 

— Faça apenas o que combinamos. Eu não exigirei de ti mais do que acordamos. 

A carruagem mergulha na névoa, a imagem do castelo cresce no horizonte como uma sombra viva. Renfield sorri, esboçando um sorriso torto, manchado de sangue e dispara: 

— Eu vou ao seu encontro, meu salvador! 

16.4. A Caminho de Varuksha. 

Estrada entre a Aldeia de Kerala e a Caverna de Varuksha, Índia – 1943. 

A noite ainda envolve a aldeia quando Dhalsim parte. 

Nenhum aviso. Nenhuma despedida. 

Dhalsim caminha descalço pela trilha de terra batida, sentindo as pedras frias sob os pés, como se cada passo fosse uma penitência necessária. Atrás dele ficam as casas silenciosas, os corpos famintos, o menino respirando por pouco. À frente, apenas as colinas escuras e o caminho que leva a Varuksha. 

Ele respira fundo. 

“Talvez tudo isso seja um sinal, pensa. 
Talvez estejamos vivendo os dias finais de um Kalpa.” 

Ele sabe o que aprendeu desde criança. Sabe o que repetiu em cânticos, em disciplina, em silêncio. 

“O Brahman era pleno. 
Perfeito. 
Sem forma, sem divisão, sem fome. 

E ainda assim, Brahma decidiu criar. 

Criar foi o primeiro erro”, reflete, com amargura. 

“A matéria é imperfeita. Sofre. Envelhece. Mata seus próprios filhos.” 

Ele aperta os punhos enquanto caminha. 

“Brahma dará fim à sua própria obra. E por isso também perecerá. 
E Shiva virá.” 

Dhalsim sente um arrepio percorrer-lhe a espinha. 

“Shiva sempre vem. 
O destruidor. 
O purificador. 
Aquele que encerra os ciclos quando eles já não merecem continuar.” 

Ele para por um instante e olha para o céu encoberto de nuvens. 

— Não agora… — Murmura. — Não ainda. 

Cansado e exausto, ele volta a andar. 

“Eu sei que o mundo pode estar pedindo o fim. 
Eu sei que a fome, a guerra e o domínio estrangeiro são sinais do esgotamento do Dharma. 
Mas eu não aceito.” 

O rosto do menino lhe vem à mente. 
Os olhos fundos. A respiração fraca. 

“Se este é o fim do Kalpa, então os deuses se esqueceram dos pequenos.” 

O caminho começa a subir. A vegetação se fecha. O ar muda e frio aumenta. O estômago de Dhalsim ronca enquanto seus pelos se arrepiam, mas ele se concentra em seus pensamentos e ignora as sensações ruins vividas por seu corpo. 

“Vishnu sempre veio quando o mundo ainda podia ser salvo”, pensa. 

Veio como peixe, como tartaruga, como homem, como rei, como pastor. 

Ele sente o coração bater mais forte. 

— Venha outra vez… — sussurra. — Venha outra vez… 

“Kalki ainda não chegou. 
O último avatar ainda não se revelou.” 

Dhalsim aperta o passo. 

“Eu não quero o fim. 
Não quero Shiva agora. 
Não quero a morte de Brahma agora.” 

Sua voz interior se torna quase um clamor. 

“Eu quero que o Dharma seja preservado. 
Eu quero que este ciclo seja postergado. 
Eu quero ver minha tribo sobreviver.” 

A entrada da caverna surge entre as rochas, escura como uma boca aberta na montanha. 

Dhalsim para. 

Ali, antes de cruzar o limite, ele se ajoelha. Não em desespero — mas em sinal de obediência e respeito. Ele coloca a mão direita sobre o chão, a esquerda sobre o peito. Fecha os olhos. 

— Vishnu… — murmura ele. — Sustentador de tudo o que ainda permanece… 
— Se minha mente está turva, clareia-a. 
— Se meu desejo está corrompido, corrige-o. 
— Se minhas palavras podem condenar mais do que salvar, cala-me. 

Ele respira fundo. 

— Se for possível… concede-me sabedoria. 

— Não para pedir por mim. 

— Mas para pedir pelo mundo que ainda não merece acabar. 

O silêncio responde. 

Dhalsim se levanta. 

E então, sem saber se está sendo ouvido por um deus, por um espírito, ou por ninguém, e contempla a sombria entrada da caverna. 

16.5. O espírito e a matéria. 

Sexta-feira, 29 de março de 1963, no calendário católico, início do 5º dia do 1º mês no calendário da Bíblia. 

A noite da Laila Shabat já se aprofunda sobre Ponta Porã. O homem que ouviu atentamente o diálogo entre Madm e as irmãs Sasha e Joaquina caminha pelas ruas em meio a latidos de cães e pelo rangido ocasional de algum portão mal fechado. A luz amarelada dos postes projeta sombras longas sobre o asfalto quente, como se a própria cidade hesitasse em adormecer. 

Seu corpo ereto contrasta com o peso que lhe curva os ombros. Moreno claro, de olhos azuis intensos — agora baixos e cansados —, ele respira fundo a cada passo, como quem tenta organizar o caos antes de atravessar uma porta. 

Ao girar a chave e empurrar a porta de madeira, mal tem tempo de fechá-la. 

Sua esposa surge do corredor, rápida, silenciosa e tomada por ira. 
Baixinha, bela à sua maneira, dentuça, cabelos lisos castanhos quase louros, aproxima-se dele e, em voz baixa — mas carregada de veneno —, dispara: 

— Que vergonha! Seus filhos doentes e você visitando a vadia da sua amante! Qual vai ser a desculpa para você ter ido encontrar a Sra. Blanca, prostituta, mãe solteira? 

Sião não responde. Limita-se a respirar fundo. Uma, duas vezes. Passa por ela em silêncio e segue pelo corredor estreito até o quarto dos filhos. 

A luz ali é fraca. O ar é pesado. O cheiro de febre misturado a pano úmido denuncia a gravidade da noite. 

Sobre duas camas de solteiro, um menino e uma menina, muito semelhantes apesar do gênero diverso, morenos, de olhos azuis brilhantes como os do pai — e como os do irmão mais velho —, ardem em febre. Ao lado deles, atento como um sentinela, está o primogênito. 

Um jovem estrábico, vestindo roupas militares gastas, com postura rígida demais para a idade. Com cuidado quase ritual, ele coloca um pano úmido sobre a testa de um, depois do outro. 

Ao ver o pai, fala sem rodeios, mas com respeito: 

— Eles estão muito maus, pai. O sargento disse que vai usar a influência militar dele amanhã para conseguir atendimento no hospital em Dourados, no domingo… e vai me emprestar o dinheiro. 

Sião assente lentamente. Os olhos marejam. Ele passa a mão pelos cabelos do filho mais velho, em gesto silencioso de gratidão. 

A mãe entra logo em seguida, ainda tomada pela indignação. 

— Vai me ignorar mesmo, Sião Dutra? À igreja, eu sei que você não foi, porque eu falei com o Pastor Paulo, e ele me disse que você não foi ao culto hoje! 

Sião respira fundo outra vez. Não há alegria em seu olhar quando responde: 

— Fique em paz, Tainara. Eu decidi ir à casa do Capitão William. Tentei conhecer os milagreiros que estão por lá, que supostamente curaram a esposa dele… pensei em falar a eles do caso dos nossos filhos. 

Ele ainda fala quando é interrompido. 

— Que vergonha! — Ela dispara. — Você não ouviu o que o pastor percebeu? Que são judaizantes! Que obrigaram o Capitão a não servir linguiça e carne de porco na festa que eles fizeram na casa dele? Que atribuem para si e para obras mortas os milagres e mistérios de Deus? 

Sião se assenta à beira da cama, entre os dois filhos febris. Passa a mão pelo rosto de um, depois do outro, com delicadeza. 

— Eu achei interessante o ensino deles, Tainara. Eles disseram — e mostraram na Bíblia — que o sábado, que eles chamam de shabat, é o verdadeiro dia do Senhor. Mas o que mais me chama atenção é a parte final. 

Residência de William, durante o discurso de Madm. 

Durante o apelo, após o ensino sobre o Yom Shabat, Madm fala com serenidade firme: 

— Alguns irmãos creem que o espírito e a alma são eternos, que todos vão viver eternamente e que, quando morrem, vão para algum lugar. Mas isso não é o que ensinam as Escrituras. Em outro momento comentaremos sobre isso, mas lembrem-se que os apóstolos combatem firmemente as doutrinas gnósticas, que dizem que o ser material é mal e que o espírito é luz e sabedoria. Isso não é ensino das Escrituras. É crença oriental — do hinduísmo, do helenismo, do iluminismo e do espiritualismo. Nós, que cremos nas Escrituras, precisamos entender que quem criou os seres vivos perfeitos, com corpo, cheios do espírito, formando uma alma vivente, foi Yhwh, o Eterno, o verdadeiro Criador, que olhou para os seres completos e disse que a criação “era boa”. 

Casa dos Dutra, agora: 

De volta ao quarto, Tainara corta a lembrança com aspereza: 

— E o que essas bobagens podem fazer de bom aos nossos filhos doentes, Trovão e Efra? 

Sião reflete antes de responder. Então diz, em voz baixa: 

— Se nós cremos no que o Pastor Paulo ensina… que quando eles morrem, vão realmente para Deus, ficar com Ele… por que tememos tanto a morte? Não deveríamos ficar felizes quando alguém morre? 

— Vira essa boca pra lá, homem! — Tainara explode. — Está desejando a morte dos seus filhos! 

Antes que o silêncio se torne ainda mais pesado, o soldade Dutra, o primogênito do casal intervém. A voz é firme, madura além da idade: 

— Não é isso que o papai está dizendo, mãe. Ele quer dizer que talvez existam equívocos nos ensinos do Pastor Paulo. Eu já tinha apontado isso antes. Além disso… se esses homens, judaizantes, podem curar meus irmãos, o que estamos esperando para suplicar esse pedido a eles? 

O quarto silencia. 

A febre continua. A noite avança com incertezas, dores e dúvidas. 

16.6. O melhor atirador da fronteira. 

Enquanto Sião sofre com seu dilema e doença de seus filhos, do lado de fora da agência do Banco do Brasil, o prédio simples de fachada colonial permanece imóvel sob a noite de lua nova. As paredes claras, manchadas pelo tempo, refletem mal a luz fraca dos postes. As janelas altas, protegidas por grades antigas, guardam um silêncio suspeito. O cofre, escondido nos fundos, parece respirar junto com a tensão que toma a rua. 

O fusca abandonado está estacionado torto na calçada lateral, uma roda quase sobre o meio-fio. As portas mal fechadas denunciam pressa. O capô quente ainda exala um leve cheiro de óleo queimado. 

O Sargento Refúgio e Dourado caminham lentamente ao redor do veículo, atentos, com suas lanternas em mãos. 

— Falei com o Tenente Kellaway. — Comenta Dourado, em voz baixa. — Ele está de plantão. Disse que vem pessoalmente com reforços. Também pedi para avisar o Major Ringo. 

Refúgio franze o cenho, inflando o peito. 

— Nós poderíamos resolver isso sozinhos e ganhar uma promoção, Dourado. Acho que você cometeu um grave equívoco. 

Dourado segura o riso, mantendo os olhos fixos no banco. 

Dentro do banco. 

Pela fresta de uma das janelas laterais, Tripa Seca observa os dois policiais. Seus olhos brilham com uma mistura de tensão e ambição. Ele puxa o revólver lentamente e sussurra, com falsa frieza: 

— Se eu eliminar esses dois, a gente sai daqui livre. 

Ele gira o cilindro da arma, cheira o cano como se buscasse coragem no metal frio. 

— Vou procurar um lugar onde possa acertá-los em cheio. Enquanto isso, abram o cofre… parece que a Cármen não nos deu a senha correta. 

Chompiras, suado e inquieto, coça a cabeça e responde, meio sem graça: 

— Ou anotamos a senha errada… ou eu troquei o papel… por outro… que eu ainda não lembro bem o que era. 

O silêncio dura um segundo. 

Botijão explode. 

Ele dá um tapa forte na cabeça de Chompiras, fazendo o boné quase cair. 

— Seu idiota! Como você troca o papel da senha do cofre principal por outro?! 

Tripa Seca se vira para os dois, irritado, ainda cheirando o cano da arma. 

— Se vocês não querem ser presos e querem sair daqui ricos… para você fugir com a Carmem, Chompiras e, você poder pedir a Chimoltrúfia em casamento, Botijão, vocês precisam abrir esse cofre. Com senha ou sem senha. Ajam! 

Chompiras e Botijão se ajoelham diante do cofre antigo. Eles improvisam ferramentas: um pé-de-cabra enferrujado, um martelo pequeno e uma chave de roda torta. Batem, forçam, escorregam. O som metálico ecoa abafado pelo prédio. 

Botijão empurra o cofre com o peso do corpo. Chompiras bate com o martelo no lugar errado. Nada cede. 

Tripa Seca caminha até um mezanino interno, próximo à antiga sala administrativa, onde uma pequena janela lateral permite visão parcial da rua. Ele se posiciona atrás de um armário metálico tombado, apoiando o revólver na borda. 

Ele mira. 

— Aquele girafa é o alvo mais fácil… 

Desloca a arma. 

— Mas o louro musculoso também é denso… além disso, matá-lo primeiro garantiria mais garotas que não o vejam… e me desejem! 

Ele sorri torto, volta a mira para Refúgio e atira. 

O disparo ecoa seco. 

A bala raspa a boina de Refúgio, arrancando-a de sua cabeça. 

— Um tiro, sargento! — Grita Dourado. 

Os dois correm e se escondem atrás do carro abandonado. 

— De onde veio o tiro, Dourado? 
— Eu não vi, sargento! 

Lá dentro, Tripa Seca rosna: 

— Puxa! Que azar… acertei só a boina do desgraçado! 

Enquanto isso, o som de sirenes corta a noite. 

Dois carros de polícia estacionam bruscamente. Um deles traz um homem alto, de postura rígida, acompanhado de um baixinho, gordinho, ajustando o cinto com dificuldade enquanto desce da viatura. 

— Cuidado, companheiros! — Adverte Dourado. — Estão atirando! 

O homem alto pega o autofalante e adverte: 

— Bandidos! Parados! É a polícia! Vocês estão cercados! Se entreguem ou a coisa vai ficar feia! 

Tripa Seca observa da janela, apreensivo. 

— Puxa… mais quatro policiais. Devia ter matado os dois primeiros mais rápido. 

Refúgio sussurra para Dourado: 

— Caramba… o Tenente Kellaway trouxe o Dorian. Ele é o policial mais atrapalhado de todo o batalhão. 

Dourado sorri. Ele percebe a estranha semelhança de comportamento entre o alto e magro Refúgio e o baixo e gordinho Dorian: dois corpos opostos, a mesma falta de eficiência tradicional. 

Dourado está sorrindo quando uma caminhonete estilosa surge e estaciona à frente do carro de Kellaway. Dela, o Major Ringo desce calmamente. 

— Cuidado, Major! — Grita Dourado. — Eles estão atirando! 

Ringo ignora. Caminha até o centro da rua, corpo totalmente exposto. Uma mão repousa sobre a arma, sem sacá-la. Ele sorri, em silêncio. 

Lá de dentro, Tripa Seca arregala os olhos. 

— Puxa… se eu matar o Major Ringo… o comandante do batalhão… mesmo preso, a máfia vai me contratar como o principal pistoleiro da fronteira! 

Ele mira. Porém, antes do disparo, um estampido seco. 

A bala de Ringo acerta a arma de Tripa Seca, que voa longe. 

Tripa Seca grita de dor, segurando a mão. 

— Puxa… realmente o Major Ringo é o melhor atirador da fronteira… por isso aqui tudo sempre está em paz! 

Ringo ordena: 

— Cerquem o banco e me deem cobertura! Não deixem ninguém fugir. 

Ele rodeia o prédio, observa portas intactas, janelas fechadas. 

— Tem funcionário envolvido… — murmura. — Entraram de forma sorrateira. 

Com um chute certeiro, arromba uma porta lateral. 

— Vamos invadir? — Pergunta Dourado. 

— Não. — Responde Kellaway. — Vocês conhecem o Major. —Baixinho, ele resmunga: — Esse idiota só vai parar de se exibir quando morrer… 

Dentro do banco, Ringo encontra Botijão e Chompiras ainda brigando com o cofre, usando o pé-de-cabra entortado. 

— Se não querem dormir a sete palmos do chão, se prostrem em terra, mãos na cabeça! — Ordena ele. 

Os dois se jogam no chão imediatamente. 

Ringo os algema. 

Tripa Seca reaparece, atrás dos três, sua arma está novamente em sua mão. Apontada para Ringo, que fala sem se virar: 

— Se movimentar essa arma para atirar, eu não vou acertar só ela da próxima vez. E talvez você não veja o amanhã. 

Tripa Seca pensa um pouco, ele pode testemunhar a eficiência do Major, então, larga a arma lentamente no chão e a chuta para longe. 

— Eu me rendo, Major… ia apenas entregar a arma… 

Minutos depois, jornalistas locais chegam. Flashes estouram na madrugada de sábado. 

Os três são conduzidos para fora, algemados. 

Um fotógrafo registra a imagem: o banco ao fundo, os policiais, a noite de lua nova. A justiça venceu na noite da shabat. 

16.7. O misterioso desaparecimento de Annika. 

DP de Gotham, manhã de sábado, 30 de março de 1963, 5º dia do 1º mês após a chegada dos escolhidos e enviados à nova realidade. 

A delegacia de Gotham está agitada, o cheiro de café rançoso e papel velho impregnando o ar. Selina Kyle, com o rosto tenso e os olhos vermelhos de choro, bate a mão na mesa do balcão, com a voz alta cortando o burburinho dos policiais. 

— Eu estou falando sério, o Falcone fez algo a ela. Será que é difícil entender? — Diz ela, com voz exasperada. 

Um policial, um homem corpulento com uniforme amarrotado, rebate em tom baixo: 

— Senhorita, eu vou dizer mais uma vez, espero que você compreenda! Não podemos acusar ninguém sem provas, isso pode lhe acarretar muitos problemas. — Diz ele, com voz cansada. 

Um detetive mais jovem, de cabelo castanho e expressão curiosa, se aproxima dela e indaga: 

— Perdão, mas a senhorita está atrás de sua amiga que desapareceu ontem, após ter ido a uma festa na Iceberg Lounge, onde ela se prostituía com diversos empresários? — Pergunta ele, com voz neutra. 

— Empresários? Era a máfia de Gotham! Bandidos! Está entendendo? — Retruca Selina, com os punhos cerrados. 

O policial que a atendia inicialmente insiste: 

— Então, a senhorita afirma que sua amiga desaparecida e você estão envolvidas com criminosos da máfia de Gotham? — Pergunta ele, com voz firme. 

— Não! Eu não! — Responde ela, indignada. 

— Eles eram ou não criminosos? — Indaga o policial novamente. 

Selina se irrita e dispara: 

— Quer saber, policial Eckhardt, eu não quero registrar mais nenhum boletim de ocorrência. Enfia estes papéis no cu! 

Ela se levanta e sai revoltada, batendo a porta atrás de si. O policial, chamado Eckhardt, lamenta: 

— Que garotinha insuportável! — Diz ele, com voz irritada. 

No entanto, o detetive mais jovem intervém: 

— Com o que ela relatou, Max, eu vou lavrar o boletim de ocorrência. — Diz ele, com voz determinada. 

— De jeito nenhum, ela não vai assinar, são prostitutas envolvidas com bandidos, o destino dela é sempre o mesmo, Lance. — Retruca Max Eckhardt. 

— Mesmo assim, me permita lavrar o boletim de ocorrência. — Insiste, Lance, pegando uma caneta. 

Um dia antes, manhã de sexta-feira, 29 de março de 1963, no calendário católico, 4º dia do 1º mês no calendário da Bíblia. 

A manhã se anuncia sobre Gotham com um céu acinzentado, carregado de nuvens que prometem chuva. O ar está pesado, misturado ao cheiro de alcatrão úmido e escapamentos de carros antigos nas ruas estreitas. Na penumbra de um armazém abandonado nos arredores da cidade, Lew Moxon encara Annika, amarrada a uma cadeira de metal enferrujada. Seus homens, três capangas de jaquetas de couro e mãos calejadas, circulam ao redor dela, segurando barras de ferro e correntes. 

— Vamos, Annika, não complique! — Rosna Lew, inclinando-se até que seu rosto fique a centímetros do dela. — Você sabe onde Falcone escondeu os documentos? Aquela papelada que pode derrubá-lo. Por que ele te rejeitou? Fale! 

Annika, com o lábio inferior inchado e um hematoma roxo se formando sob o olho esquerdo, balança a cabeça, lágrimas escorrendo pelo rosto sujo. 

— Eu não sei de nada! Juro, Lew, ele nunca me contou nada! — Implora ela, com a voz tremendo, enquanto um dos capangas a golpeia nas costelas com uma barra de ferro. Ela arqueja, o corpo se contorce contra as cordas que a prendem. 

— Mentira! — Grita outro homem, acertando um soco no estômago dela. Annika cospe sangue, seu corpo dobra-se tanto quanto as amarras permitem. — Falcone te mantinha por perto por um motivo. O que você escondeu dele? 

— Não sei! Por favor, parem! — Chora ela, com voz rouca de desespero. Um terceiro capanga a agarra pelos cabelos, puxando sua cabeça para trás, e rasga a blusa dela, expondo hematomas frescos e marcas de dedos em seus braços e peito. Ela solta um grito agudo, com o corpo tremendo enquanto é violentada diante de Lew, que observa com um sorriso sádico. 

— Vamos ver se isso refresca sua memória. — Diz Lew, acendendo um cigarro enquanto o ataque continua. Após minutos de agressão brutal, Annika, quase inconsciente, murmura entre soluços: 

— Selina… ele me paga para proteger Selina Kyle… a única coisa que eu sei… 

— Lew ergue uma sobrancelha, apagando o cigarro no braço dela, que solta um gemido abafado. 

— Agora, por favor, deixe-me ir! — Implora ela, com voz fraca, rosto ensanguentado e os olhos vidrados de terror. 

— Se eu te soltar aqui, você vai correndo para o Falcone e teremos problemas. — Responde Lew, com um tom gélido. Então completa, sacando uma pistola: — Você passou a noite com Grissom e é a amante preferida de Falcone. Que eles briguem por sua memória! 

Após dizer tais palavras, ele aponta a arma para a testa dela e dispara. O som ecoa no armazém, e Annika tomba, o corpo inerte e ensanguentado cai da cadeira, um pequeno lago de sangue se forma pelo chão. 

16.8. O interrogatório

Ponta Porã, manhã de sábado, 30 de março de 1963, 5º dia do 1º mês após a chegada dos escolhidos e enviados à nova realidade. 

O sol ilumina a manhã de Ponta Porã. A delegacia ainda carrega o cheiro da madrugada. Café forte, papel velho e ferro. As sombras do refletir do sol, lançam uma claridade cansada sobre o balcão principal, onde alguns policiais conversam em voz baixa. 

O Major Ringo entra com passos firmes. Observa o ambiente por um instante e se aproxima da mesa do Investigador Max Kohls, que segura uma caneca fumegante. 

— Já conversou com os bandidos que tentaram roubar o banco? — Pergunta Ringo, direto. 

Kohls sopra o café antes de beber. 

— Estava indo fazer isso exatamente agora. — Ele ergue os olhos. — Se quiser, Major, podemos interrogá-los juntos. 

Ringo pensa por um segundo e assente. 

— Vamos. 

Sala de interrogatório 

Os três estão sentados lado a lado. 

Botijão mantém as mãos sobre os joelhos, inquieto. Chompiras evita o olhar dos policiais, mexendo os dedos. Tripa Seca, recostado na cadeira, tenta sustentar uma postura dura, que não convence nem a ele mesmo. 

Kohls puxa uma cadeira, abre um bloco de anotações. Ringo permanece de pé, encostado na parede, braços cruzados. 

— Vamos começar simples. — Diz Kohls. — Você primeiro. — Apontando para Botijão. 

O suspeito engole sua saliva em seco. 

— Eu… eu tô desempregado, doutor. — Sua voz sai pesada. — Faz tempo já. E eu sou apaixonado pela Chimoltrúfia… de verdade. 

Ele suspira, os olhos marejados. 

— Um dia eu a ouvi conversando com a Dona Cotinha… 

Alguns dias antes: 

Na pequena vila, Chimoltrúfia fala em tom baixo, ajeitando a bolsa. 

— Dona Cotinha, eu até gosto dele… mas como vou casar com um homem sem dinheiro, sem emprego? Amor não enche panela… 

Botijão está parado atrás de um muro baixo, segurando um saco de pão. Ele abaixa a cabeça, em silêncio. 

Agora: 

— Aquilo ficou martelando na minha cabeça. — Continua Botijão. — Aí o Chompiras chegou dizendo que tinha a senha… que era coisa fácil… só pegar o dinheiro e pronto. 

Ringo permanece em silêncio. Kohls anota. 

— Certo. — Diz o investigador. — Agora você. 

Ele se vira para Chompiras. 

Chompiras levanta as mãos de imediato. 

— Eu nem ia contar nada! Eu sou vítima nisso tudo! 

Ringo arqueia a sobrancelha. 

— Vítima? — Pergunta, seco. 

— Cortaram a luz da minha casa, Major! — Dispara Chompiras. — O aluguel tá atrasado… eu fui dormir no banco, porque lá pelo menos é fechado… seguro… 

Kohls cruza os braços. 

— Dormir no banco? 

— É! — Chompiras se anima com a própria história. — Aí eu encontrei esses dois meliantes suspeitos tentando roubar o lugar! Eles me obrigaram a entrar com eles! 

Botijão vira o rosto, constrangido. 

— Obrigaram como? — Pergunta Kohls. 

— Com… pressão psicológica. — Responde Chompiras, inseguro. 

O silêncio pesa. 

Ringo dá um passo à frente. 

— Não adianta você tentar mentir, amigo. Sabemos que vocês entraram com a chave, quem é o funcionário que colaborou com vocês? 

Chompiras engasga. 

— Funcionário? Que funcionário? 

Botijão balança a cabeça, confuso. 

— Eu não sei de funcionário nenhum… 

Ringo olha para os dois e depois fixa o olhar em Tripa Seca, que até então permanecera calado. 

— E você? — Pergunta o Major. 

Tripa Seca ajeita o corpo, tenta sustentar a pose de durão. Por um instante, parece que vai resistir. Então sorri de lado, cansado. 

— Chega dessa palhaçada. 

Chompiras arregala os olhos. 

— Foi tudo ideia orquestrada pelo Chompiras. — Diz Tripa Seca, frio. — Ele arrumou uma namorada… uma moça chamada Cármen, uma cigana. 

Chompiras se levanta, exaltado. 

— Cala a boca! Não envolva a bela Cármen nisto! 

— Ela conseguiu a senha do cofre… e as chaves do banco. — Continua Tripa Seca. — Tudo certinho. Era só entrar e pegar, mas este idiota trocou o papel com a senha do cofre por outro que… 

O silêncio que se segue é pesado. Ringo respira fundo. 

Algumas minutos depois. 

Ringo sai da sala a passos firmes. Kohls o acompanha. 

— Eu sabia que tinha gente do banco metida nisso! — Diz o Major. 

Kohls ajusta os óculos. 

— Pois é. Mas eles invadiram à noite. Tirando o Tripa Seca, Botijão e Chompiras são réus primários. Os dois últimos estavam desarmados. — Ele pausa. — É um caso que pode até acabar com cestas básicas. 

Ringo para por um instante. Seu olhar endurece. 

— Precisamos agir para que isso não ocorra. 

Kohls concorda com a cabeça, em silêncio. 

Por dentro, pensa: “Ou induzir estes idiotas e imbecis a nos levarem aos verdadeiros criminosos da região.” 

16.9. Resistência. 

Residência de William. 

Enquanto a tensão ronda a delegacia, a manhã de sábado ilumina a residência de William com uma luz suave que atravessa as cortinas de linho. William e Ângela acordam e descem para a cozinha, onde encontram Let, já arrumada com um vestido simples e os cabelos presos. William franze a testa e pergunta: 

— O que é isso, Let? — Diz ele, com voz curiosa. 

— Isso o quê? Estou tomando meu café da manhã. — Responde ela, com um tom irônico. 

Diante da ironia de sua cunhada, Ângela esboça um sorriso leve. William fecha a expressão no rosto e insiste: 

— Eu me referia ao fato de você estar arrumada logo cedo, você pretende sair? — Pergunta, ele, com voz séria. 

— Ah, sim! Eu dou aula de inglês todo sábado. Você esqueceu? — Diz Let, com um leve sorriso. 

— Eu sei, mas ontem estudamos sobre o Yom Shabat no sétimo dia, hoje é um dia de repouso segundo a lei de Deus. — Insiste, William, com voz firme. 

— Eu sei, mas eu não avisei meu aluno e preciso avisá-lo, vai ser a última aula na shabat, prometo. — Diz Let, tentando se justificar. 

— A escritura diz: ‘Você e tua casa!’ Você é minha irmã, eu não quero você profanando o Yom Shabat. — Pede, William, com voz suplicante. 

— Maninho, eu não vou dar aula na sua casa, eu vou sair, meu aluno vai me receber na casa dele, você não vai pecar. — Justifica, Let, com voz calma. 

Acordado, Madm ouve o debate, senta-se ao lado de Let e diz, com relevante tristeza: 

— Achei que você tinha acreditado nas escrituras e iria observá-las! — Diz ele, com voz melancólica. 

Let olha para Madm sentindo algo novo que não sabe o que é, limpa a garganta enquanto William os interrompe. 

— Não posso te proibir de ir, minha maninha, mas eu não vou emprestar minha caminhonete hoje. Me desculpe! — Diz ele, com voz firme. 

As palavras de William irritam Let, que bate a xícara de café na mesa e se levanta, caminhando até o lado de fora. Menslike observa a cena e caminha atrás dela, enquanto Ângela adverte William: 

— Você pegou pesado, ela havia dito que era a última vez. — Diz ela, com voz suave. 

— Eu conheço minha irmã, ela finge gostar do correto, mas tem uma paixão por todo tipo de erro. Se eu não a impedir, ela vai fingir guardar a Shabat e vai continuar trabalhando todos os dias em que as escrituras proíbem. — Diz William, com voz convicta. 

Healer sussurra: 

— Você fez bem, capitão. Precisamos usar nossa influência e poder para que as pessoas respeitem a lei de Deus. — Diz ele, com voz baixa. 

Do lado de fora, Let senta-se próximo a uma árvore, com as mãos tremendo enquanto algumas lágrimas escorrem entre um sorriso forçado. Menslike percebe e se aproxima, dizendo: 

— Let, seu irmão está tentando te proteger. — Diz ele, com voz suave. 

— Eu sei, e eu sempre faço o que ele pede. — Completa, ela, com voz trêmula. 

Menslike sinaliza para Let se levantar, ela atende e ele a abraça. O caloroso abraço de Menslike muda a expressão de Let, então ele diz: 

— Um dia, talvez você perceba que obedecer a Deus sempre é o melhor caminho! 

— Ok! Era só uma aula, mas amanhã ele vai à igreja de manhã, como vou repor? Eu só queria poder decidir, eu não ia dar aula hoje, ia só avisar meu aluno e explicar a ele sobre o Yom Shabat, mas… — Antes de concluir, Let é interrompida por Menslike. 

— Se quiser, posso ir contigo a pé até o local. — Brinca ele, com um sorriso leve. 

— Sem graça, o cara mora a 150 km daqui. Eu vou ficar com vocês e separar a shabat. Daqui a pouco alguns convidados devem chegar, pelo menos já estou arrumada. — Decide, ela, enxugando as lágrimas. 

Assim, Let desiste de ir ver Miguel e decide ficar com Menslike e seus companheiros. 

16.10. Lian Yu. 

Em alguma ilha do Pacífico. 

Nesse ínterim, muito longe de Ponta Porã e da casa de William, em uma ilha do Pacífico, Oliver Queen conversa com Shado em sua tenda improvisada, feita de folhas e tecidos rasgados, o som das ondas quebrando ao longe ecoando suavemente. O ar salgado preenche o ambiente, misturado ao cheiro de madeira úmida. 

— O nome desta ilha é Lian Yu, estamos em território chinês e, em chinês, este nome significa Purgatório. Esta ilha é abandonada, mas utilizada por traficantes para plantio de folha de coca, utiliza para a produção de drogas proibidas em diversos países. — Explica, ela, com voz firme, apontando para o horizonte. 

Oliver olha para os arcos improvisados pendurados nas laterais da tenda e pergunta: 

— E quanto aos arcos? — Diz ele, com voz curiosa. 

— Se quisermos continuar vivos por aqui, teremos que caçar e pescar. Se você souber uma maneira melhor de buscarmos sobreviver, me diga. — Responde Shado, com um tom prático. 

Oliver sorri e pergunta: 

— Desculpa, eu queria saber qual é a sua relação com o arco, porque minha família tem uma relação especial. — Diz ele, com voz reflexiva. 

— Como assim? — Pergunta, Shado, inclinando a cabeça, intrigada. 

Mansão Queen, 1948. 

Enquanto conversa com Shado, a mente de Oliver se desloca para uma tarde ensolarada na propriedade dos Queen, anos atrás. Oliver, com apenas cinco anos, corre pelo jardim verdejante, o cabelo loiro bagunçado pelo vento. Malcolm Merlyn, um homem forte e de presença imponente, com um arco elegante preto nas mãos, chama o menino. 

— Venha, Oliver, hoje você vai aprender a manejar o arco com o tio Malcolm. — Diz Malcolm, com voz calorosa, ajoelhando-se ao lado do menino. 

Oliver olha para o arco com olhos arregalados, as mãos pequenas tentando imitar o gesto de Malcolm ao segurá-lo. 

— É pesado, tio Malcolm! — Exclama ele, rindo, enquanto Malcolm ajusta suas mãos no cabo. 

— Paciência, pequeno arqueiro. Primeiro, você deve sentir o equilíbrio. — Instruí Malcolm, guiando os dedinhos de Oliver para a corda. — Puxe devagar, mire na árvore ali adiante, e solte quando eu contar até três. Um… dois… três! 

Oliver solta a corda, a flecha voa desajeitadamente e se crava na grama a poucos metros. Malcolm ri, bagunçando o cabelo do menino. 

— Não foi perfeito, mas foi um começo! Vamos tentar de novo. — Diz ele, com um sorriso alegre, enquanto Oliver pega outra flecha, determinado. 

Lian Yu, sábado, 30 de março de 1963, no calendário católico. 

De volta à tenda, Oliver reitera, contando tudo sobre ele, mas Shado permanece em silêncio. Após ele insistir muito, ela decide falar sobre si: 

— Eu vim para cá para investigar as ações ilegais dos traficantes na região, porém fui descoberta e, desde então, eu finjo estar morta sempre que eles chegam. Os observo apenas de longe. — Diz ela, com voz cautelosa. 

Oliver vibra e celebra: 

— Então, é assim que vou sair daqui, quando os traficantes vierem, vou aproveitar e fugir daqui! — Diz ele, com entusiasmo. 

— Só se você quiser que eu te mate! — Rebate a mulher, com voz cortante. 

— Por quê? E o que você fez com a canoa que cheguei até aqui? — indaga Oliver, surpreso. 

— Eu afundei! Não poderia deixar nenhum rastro para os inimigos. — Responde Shado, com frieza. 

Dois dias antes, em uma ilha próxima a Lian Yu. 

Oliver, exausto e ferido, está em uma ilha a quilômetros de Lian Yu, após um ataque da Liga das Sombras que afundou seu navio. Ele segue desmaiado pela praia, ao som das ondas. De repente, uma figura encapuzada emerge do meio das árvores com um arco nas mãos e uma bolsa de ervas. 

— Ele não vai resistir muito. — Murmura ela para si mesma, observando Oliver. Com agilidade, ela prepara uma poção com as ervas, misturando-as com água salgada, e força o líquido pela garganta do jovem desacordado. Seus olhos se fecham, o corpo relaxa sob o efeito do sedativo. 

Após isso, ela retira o capuz, mostrando ser Shado, e o arrasta até um pequeno barco, escondida entre a vegetação costeira. 

— Espero que não acorde com o som do barco, maninho. — Diz ela. 

Em seguida, ela liga o barco e parte da ilha, em meio ao mar agitado, com destino a Lian Yu, a ilha onde estão agora e fica longe de onde o cruzeiro afundou. 

Chegando à praia, ela esconde o barco novamente, puxa Oliver para a areia, arrastando-o até a tenda improvisada. Satisfeita, cobre Oliver com uma manta e desaparece nas sombras, deixando-o sob os efeitos das drogas. 

16.11. As três irmãs

Ponta Porã, manhã de sábado, 30 de março de 1963, 5º dia do 1º mês no calendário bíblico. 

A manhã brilha na residência de William, o canto dos pássaros mistura-se ao aroma de pão fresco vindo da cozinha. Madm chama Luk a sós no quintal, sob a sombra de uma árvore frondosa, e diz: 

— No primeiro dia em que nos reunimos aqui, eu falei sobre a criação, o erro, a redenção e a cura. Ontem à noite, eu falei sobre o Yom Shabat. Hoje, você pode falar sobre alimentação que agrada a Deus e os alimentos kosher? — Indaga ele, com voz calma. 

Luk se surpreende e pergunta hesitante: 

— Eu? 

— Sim, as pessoas podem atribuir devoção a mim, precisamos revezar os rostos e mostrar que somos um time. — Explica, Madm, com um sorriso. 

— Ok! Eu falo! Alimentação vegetariana, alimentos permitidos e alimentos imundos? — Questiona Luk, animado. 

— Isso! — Confirma, Madm, assentindo. 

Após isso, Menslike pega o violão de William, enquanto Nokram se senta em frente ao piano, e juntos eles começam a cantar, as notas suaves ecoando pela casa. Não demora até que Blue Mary chega ao local, acompanhada de uma moça quase da mesma idade, porém um pouco mais jovem. Ângela a reconhece e se dirige até ela: 

— Felicity, que bom recebê-la, achei que irmã jamais conseguiria a trazer. 

Felicity a bela moça loira com corpo definido sorri e fazendo movimentos sensuais diz: 

— Então, meu irmão participou de um tiroteio e combateu bandidos que invadiram o banco essa noite. A Blue Mary me convenceu que todos nós precisamos nos voltar para Deus, de maneira que ele nos proteja de todo mal, mas hoje a noite eu vou festejar com meus amigos. Já avisei ela. 

Blue Mary e Ângela sorriem e a anfitriã convida as duas a se assentarem: 

— Você é bem-vinda, Felicity, estamos muito felizes em recebê-la. — Em seguida, ela direciona o rosto para Blue Mary e sugere: — Convide sua irmã a se assentar, Blue. 

Ângela ainda está conversando com suas amigas quando Bunnym chega à residência, acompanhado de Joaquina e Sasha. Healer se apressa em recebê-los. Bunnym deixa Sasha e Joaquina conversando com Healer e, com rapidez, se aproxima de Madm, sorrindo, para agradecê-lo. 

— Acordei cedo para vir te agradecer e aprender sobre as escrituras. Obrigado por me curar. — Diz ele, com voz grata. 

Madm o abraça e diz: 

— Que bom, meu amigo, você não sabe o quanto fico feliz. Primeiro, por você estar bem, mas o mais importante, pelas suas palavras, pelo seu desejo de buscar fazer a vontade de Deus, porém devo lembrá-lo que não sou eu quem te curou, e sim o Grande Deus, Elohim, o Eterno. — Diz ele, com voz emocionada. 

Amada abraça seu esposo e o corrige: 

— Deus o curou, Bunnym e, por isso você precisa agradecer realmente a ele! 

— Com certeza! Meus irmãos ficaram dormindo! Meu pai saiu trabalhar e minha mãe ficou cuidando da casa, mas tão certo como meu cavanhaque está bem-feito, eu prometo que trago eles e ainda alguns amigos hoje a noite. 

Enquanto Madm e Amada conversam com Bunnym, outras três moças param em frente à casa de William. Bebeto as vê e se aproxima delas, convidando-as para adentrarem a casa. 

— Mas nós não conhecemos ninguém. — Diz uma delas, com voz tímida. 

— Mas Deus as trouxe até aqui, não trouxe? — Rebate Bebeto, com um sorriso confiante. 

— Sim. — Responde à mais velha das três, hesitante. 

— Então, sou Bebeto, entrem, por favor. — Diz ele, gesticulando para seguirem. 

As três se olham, e a mais velha assente e as apresenta: 

— Sou Guerra, estas são minhas irmãs, Fortaleza e Vanda. Somos filhas de Eushedim, um dos capatazes de Thomaz Muller, e nosso pai contou sobre vocês. Gostaríamos de conhecê-los pessoalmente. — Diz ela, com voz serena. 

Bebeto olha para as jovens, a mais velha, Guerra, com cabelos longos, lisos, olhos cor de mel, a segunda, Fortaleza, baixinha, magra, mas com medidas salientes e avantajadas. “Que gata”, ele pensa, e por fim, a terceira, Vanda, com cabelo ondulado, olhos azuis, e raciocina: “Que máximo, o sucesso do tio Madm está atraindo muita gente, vou poder escolher uma namorada muito linda!”.  

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Lukas Dutra

Writer & Blogger

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1 Comment

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    Esse cap ta recheado de conteúdo ein.

    O plano do Dragon Lord é bem astucioso, mas ele também não sairia como culpado assim como Labão foi?

    O Sião ouviu essas coisas e ele ainda não acredita, mostra como é difícil crer.

    Tudo isso ta documentado no livro que fala sobre o Drácula? Slk o Renfield vai se ferrar.

    Muito interessante esse caba aí o melhor pistoleiro ein, como assim um cara tão bom ta em uma cidadizinha pequena? Suspeito ein KKKKKKKKKK.

    Esses três patetas tão que seguindo o conselho do Filósofo Píton… “Tudo na vida dependo do quanto você quer comer alguém” – Píton.
    KKKKKKKKKKKK

    Aiai, a Let poderia ter se safado dessa se ela falasse que ia avisar só pra ele que não iria dar aula na shabat, mas continuaria sendo uma mentira e só faria ela não mostrar esse lado obstinado dela, concordo com o Healer o que o William fez foi a coisa correta, talvez não teve a execução de maneira certa, mas é a coisa certa pelo menos pra mim..

    E que papo é esse de maninho com a Shado? Uhmmm.

    E é bem legal que o Bunnym se dedicou a eles e nem precisou de prova que estava curado.

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